Se conheceram quase por acaso, tempos atrás. Nem se lembravam mais os detalhes de como tinha acontecido. Ela namorava, mas ele a elogiou, flertou com ela sem saber. O namorado ficou bravo, reagiu quando soube, mas ela não. Sorriu. Maliciosamente, sorriu.
Veio um, dois, três, quatro encontros. Mas sempre espaçados de meses e meses entre um e outro... Meses longos, que eram quebrados com beijos alucinados, sedentos, elogios talvez exagerados, masi ainda sinceros e a vontade de se ver de novo. O que só aconteceria de novo meses e meses depois...
Encontros proibidos, mas que não podiam ir além do nível 1. A vontade nunca faltava, mas o cerco só apertava mais. Ficava mais perigoso - e mais gostoso -, o que tornou os encontros mais espaçados e menos frequentes.
Até que ela ficou solteira. Por uma daquelas coisas que não sabemos bem como acontece, nem por que - e nem questionamos também. O negócio era aproveitar. E fizeram isso.
Os dois pareciam um pouco receosos. O que seria deles, agora que as barreiras não existiam mais? Experimentaram... Sentiram o gosto da liberdade, se curtiram de um jeito que nunca tinham conseguido. Não precisavam se esconder. E foi o que fizeram.
O doce sabor do proibido não existia mais. Sò que agora o gosto do prazer era mais lento, mais forte... De algum modo, o desejo aumentava mais, à medida que os dois se viam. Se tornava inevitável que as conversas de mais de dois anos chegassem à cama. Era só questão de tempo.
Não demorou para que aquele desejo inflamado um pelo outro acabasse entre os lençois. Era uma noite entre amigos, até que sentiram que não dava mais para ageuntar. Subiram para o quarto do sobrado sabendo o que fariam. Os sorrisos maliciosos que trocavam eram mais do que suficientes para despertar ainda mais desejo entre eles.
Ele se deliciou, mas ficou com a sensação que podia ter feito mais por ela. Queria ter feito mais por ela, tornar a noite mais inesquecível. Ela, por sua vez, achou que podia ter dado mais. Os dois saíram satisfeitos um com o outro, mas insatisfeitos com si mesmos.
Mas, assim como antes, os encontros estavam espaçados demais. Menos do que antes, mais do que os dois gostariam. Cada um começou a criar uma teoria da conspiração... Ela achabdo que não exercia mais a mesma atração sendo solteira. Ele não querendo pressionar alguém que acabara de sair de um namoro e com receio de se apaixonar por ela, sem poder ser correspondido.
Continuavam se falando, se desejando. Mas ela se sentia insegura. Depois de anos namorando, não sabia o que esperar dele. Ele queria mais dela, mas achava que ela queria curtir a vida de solteira. E ele tinha medo de se apaixonar, ficar ainda mais viciado nela. Sem perceber, já era fascinado por ela mais do que podia saber. Ela, sem perceber, sentia mais falta dele do que ele sequer podia imaginar.
Insegura, ela viu o ex se reaproximar. Gostou. Sentiu na aproximação a segurança que não sentia há meses. Sentiu-se abrigada. Deitou-se no deleite de um amor requentado, seguro, feliz.
Contou a ele. Achava que ele não daria tanta importância, mas ele deu. Disse a ela que não era o que ele queria, mas se era o que ela queria... E disseram, um para o outro, tudo que pensavam. E se surpreenderam. Não sabiam o que pensavam um do outro. Se arrependeram. Fizeram promessas um ao outro. Não iriam perder mais chances, nem tempo, nem que seriam enganados pelas barreiras invisíveis que tinham se imposto.
Ela voltou ao namorado. Ele foi dormir.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Sedução em roxo
Ela tem o sorriso doce de menina, a risada gostosa de criança, o corpo incrível de mulher e o olhar sensual de uma sedutora. Suas roupas com um tom roxo não deixam dúvida que a mulher já deixou a menina para trás há tempos. O que sobrou da menina do interior é as alegrias, o sorriso e a beleza de ser feliz nas pequenas coisas. Mas o olhar... Aquele olhar é de mulher, decidida, sedutora, sensual.
O roxo é dela, é ela, está nela. Às vezes na blusa, outras em um cinto, em um detalhe da pulseira, em um cinto, na saia rodada, no cadarço da bota, no cintilante brilho da maquiagem que a faz brilhar. Fico pensando se ela adotou o roxo ou o roxo a adotou, antes mesmo que ela escolhesse. A cor é dela e ela é da cor.
Ela desfila estilo, mesmo quando não se preocupa com isso. Tem em seu jeito de quem vai bailar pelas ruas, na chuva, no frio, na alegria e na tristeza. Dança quando o sorriso a preenche a alma ou quando as lágrimas mancham suas roupas.
Dança sensualmente, ingenuamente, maldosamente, alegremente, musicalmente. Às vezes, tudo de uma só vez. É sedutora quando quer e perigosamente sensual mesmo se não quiser. Traz em si os gestos, os movimentos e a beleza da dança.
Sua beleza às vezes é das mais simples, outras é das mais sofisticadas. Consegue ser bela no amanhecer e no porvir, na luz e na sombra, no sol e na chuva, no calor e no frio. Porque a sua beleza é muito além dos traços do seu rosto e do seu corpo. É a beleza que o sorriso mostra, perfura, instiga, conquista. São as palavras suaves, sem medo, sem preconceitos, livres, completamente livres, inteligentes, doces ou amargas. São as botas, ou a meia-calça, ou a saia, ou a calça, ou o vestido, ou o cabelo longo, ou o cabelo curto, ou a voz que canta, ou os textos que escreve, ou a amiga sempre disposta, ou a menina que precisa de colo, ou a mulher que escreve suas própria história.
É a sedução em roxo, que conquista, que instiga, que devora, que desperta curiosidade.
O roxo é dela, é ela, está nela. Às vezes na blusa, outras em um cinto, em um detalhe da pulseira, em um cinto, na saia rodada, no cadarço da bota, no cintilante brilho da maquiagem que a faz brilhar. Fico pensando se ela adotou o roxo ou o roxo a adotou, antes mesmo que ela escolhesse. A cor é dela e ela é da cor.
Ela desfila estilo, mesmo quando não se preocupa com isso. Tem em seu jeito de quem vai bailar pelas ruas, na chuva, no frio, na alegria e na tristeza. Dança quando o sorriso a preenche a alma ou quando as lágrimas mancham suas roupas.
Dança sensualmente, ingenuamente, maldosamente, alegremente, musicalmente. Às vezes, tudo de uma só vez. É sedutora quando quer e perigosamente sensual mesmo se não quiser. Traz em si os gestos, os movimentos e a beleza da dança.
Sua beleza às vezes é das mais simples, outras é das mais sofisticadas. Consegue ser bela no amanhecer e no porvir, na luz e na sombra, no sol e na chuva, no calor e no frio. Porque a sua beleza é muito além dos traços do seu rosto e do seu corpo. É a beleza que o sorriso mostra, perfura, instiga, conquista. São as palavras suaves, sem medo, sem preconceitos, livres, completamente livres, inteligentes, doces ou amargas. São as botas, ou a meia-calça, ou a saia, ou a calça, ou o vestido, ou o cabelo longo, ou o cabelo curto, ou a voz que canta, ou os textos que escreve, ou a amiga sempre disposta, ou a menina que precisa de colo, ou a mulher que escreve suas própria história.
É a sedução em roxo, que conquista, que instiga, que devora, que desperta curiosidade.
sábado, 4 de abril de 2009
O beijo de palavras não ditas
Era um dia comum, que não conseguiu acordar cedo por ser sábado. Se deu o direito de acordar mais tarde. Por isso, chegou atrasado. Mas encontrou uma surpresa, vestida de azul. Uma bela surpresa, literalmente. E sua manhã começou bem.
Supermercado, prepração para o primeiro churrasco do ano. Um encontro de amigos, como acontecia com certe frequencia. O vestido azul, as compras, a bebida, a carne, os sorrisos. Ela, de vestido azul, postura de uma lady, sorriso suave, sem exageros em nada.
Sua conversa era sempre inteligente e interessante, o que a tornava muito sedutora. Mas ela representava um passado recente, um relacionamento de não-diálogo, de mil palavras não ditas, do beijo que não aconteceu. Ela representava uma disputa silenciosa. Uma disputa perdida, meses antes, que tinha doído muito. Mas tinha passado.
Quando, por um motivo qualquer, ficamos conversando só nós dois, senti seu sorriso mais perto. Não literalmente, mas uma abertura naquela que parecia ser o muro de Berlim, separando dois países que deveriam ser um só.
Com a queda do muro, a aproximação se tornou maior. O sorriso, os olhos, os cabelos, tudo foi ficando maior. Fui sentindo a pele mais quente, os lábios cada vez maiores, os olhos fechando... As cortinas se abriram e o espetáculo se desenvolveu como se estivesse na Broadway: mágico e indescritível. E quando percebi, já estava acontecendo o beijo, esperado até meses antes, inesperado para este momento.
O mundo parecia ter dado uma grande volta. Uma visita ao passado, sem a paixão, mas com a vontade reprimida por meses. Uma reparação do desejo, de um desejo que estava guardado, quase espequecido no meio das lembranças que tinham perdido o encanto.
Talvez seja o início de uma nova temporada. Uma nova temporada que passou por beijos suaves quando nos encontramos de novo, mas que duraram só dois dias. E que, parecia, ficariam no passado novamente.
Até palavras começam a ser ditas no silêncio e na distância. Um só pode ver o outro através das palavras de outra pessoa. Uma complicação daquelas que não se entende porque existem. Mas existem. E a temporado só (re) começou...
Supermercado, prepração para o primeiro churrasco do ano. Um encontro de amigos, como acontecia com certe frequencia. O vestido azul, as compras, a bebida, a carne, os sorrisos. Ela, de vestido azul, postura de uma lady, sorriso suave, sem exageros em nada.
Sua conversa era sempre inteligente e interessante, o que a tornava muito sedutora. Mas ela representava um passado recente, um relacionamento de não-diálogo, de mil palavras não ditas, do beijo que não aconteceu. Ela representava uma disputa silenciosa. Uma disputa perdida, meses antes, que tinha doído muito. Mas tinha passado.
Quando, por um motivo qualquer, ficamos conversando só nós dois, senti seu sorriso mais perto. Não literalmente, mas uma abertura naquela que parecia ser o muro de Berlim, separando dois países que deveriam ser um só.
Com a queda do muro, a aproximação se tornou maior. O sorriso, os olhos, os cabelos, tudo foi ficando maior. Fui sentindo a pele mais quente, os lábios cada vez maiores, os olhos fechando... As cortinas se abriram e o espetáculo se desenvolveu como se estivesse na Broadway: mágico e indescritível. E quando percebi, já estava acontecendo o beijo, esperado até meses antes, inesperado para este momento.
O mundo parecia ter dado uma grande volta. Uma visita ao passado, sem a paixão, mas com a vontade reprimida por meses. Uma reparação do desejo, de um desejo que estava guardado, quase espequecido no meio das lembranças que tinham perdido o encanto.
Talvez seja o início de uma nova temporada. Uma nova temporada que passou por beijos suaves quando nos encontramos de novo, mas que duraram só dois dias. E que, parecia, ficariam no passado novamente.
Até palavras começam a ser ditas no silêncio e na distância. Um só pode ver o outro através das palavras de outra pessoa. Uma complicação daquelas que não se entende porque existem. Mas existem. E a temporado só (re) começou...
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Beleza mineira
Jornalista. 25 para 26 anos. Cursando o doutorado em linguística aplicada. Sim, é isso mesmo: aos 25 anos, já tinha começado o doutorado. O mestrado já tinha feito em Minas, na universidade federal da capital mineira.
No começo, o que chamava a atenção era o sotaque. Forte, carregado, comendo letras e destilando charme. Aos poucos, apareceu a inteligência, um rosto com traços fortes, uma boca grande, cabelo castanho claro, pintado. Uma cor que parecia caramelo.
Viam-se em reuniões semanais. A orientadora fazia questão que todos, uma vez por semana, estivessem juntos: doutorandos, mestrandos e nós, de iniciação científica. A cada semana, alguns apresentavam resultados parciais de suas pesquisas e colocavam o trabalho para ser questionado, receber sugestões.
Aos poucos, conversaram mais. Afinal, ela era jornalista formada, uma área que muito interessava a ele. Morava em Minas, vinha a São Paulo apenas para receber a orientação sobre seu trabalho. Tinha uma filha de cinco anos.
Algumas conversas do lado de fora da sala de reuniões. Ao ar livre, enquanto ela fumava, sempre com uma ou outra pessoa do grupo junto. Uma mulher alta, quase sempre usando saias escuras, quase sempre pretas. O sorriso, a fala sempre tranquila, com aquele sotaque mineiro típico, gostoso de ouvir.
Olhares. Foi o que fizeram por algum tempo, até trocarem também sorrisos. Passaram a conversar mais. Resolveram conversar também pelo msn. Foi aí que começaram a conversar sozinhos - pessoalmente estavam sempre acompanhados de outras pessoas.
As conversas aqueceram a relação. A amizade, a princípio, mas estava claro que os dois queriam ver até onde aquilo ia. Embora ele fosse mais novo, estivesse na graduação enquanto ela fazia doutorado, tinham conversas ótimas. A diferença de idade não era tão grande. Ele tinha 20, ela 25.
Descobriu que no começo, quando se conheceram, ela era casada. Muito bem casada. Mas aconteceram problemas, se separaram. A filha dela era dele. Casou-se jovem, separou-se também muito jovem. Charmosa, interessante, inteligente e linda, deu espaço para que se aproximassem, flertassem.
Resolveram marcar um encontro. Ela já não dormia mais em hotéis quando vinha a São Paulo - ficava na casa de uma amiga, também do grupo da orientadora. Mas naquele dia, fingiria que iria embora, se encontraria com ele e passariam a noite juntos.
Se encontraram. Ela com malas, ele a ajudou. Foram até um restaurante bar, tomar uma cerveja, conversar. Aquele sotaque o fazia sentir-se mais e mais encantado por ela. Ela, com um olhar sereno, sedutor, fitava-o no fundo dos olhos.
Acendeu um cigarro enquanto ele falava. Ela já tinha bebido chopp com groselha, ele cerveja. Beberam um pouco mais enquanto conversavam.
Ela estava do outro lado da mesa, mas veio para o lado dele. Os olhos dos dois se procuraram. Os rostos se aproximaram. Aquela boca enorme, com lábios grossos o atraía. Ela não conseguia parar de olhar os olhos cor de mel, não aguentava mais de vontade de beijar aquela boca que via na sua frente. O beijo, com os lábios quentes, foi inevitável.
- Achei que isso nunca fosse acontecer - disse ela.
Ele também não. Na verdade, não imaginava que pudesse acontecer. Não se imaginaram juntos no começo, mas a atração nascer, cresceu e se tornou forte. Os levou até ali, juntos.
- Aqui perto fica o hotel onde me hospedava quando vinha para cá, nas primeiras vezes. É simples, barato, mas serve para passarmos a noite.
Seguiram para lá. Lugar bem simples, preço acessível. Quartos pequenos. Com cara de motel. Se registraram no hotel, por uma noite apenas. Seguiram, sorrindo, para o quarto. As mãos dadas nos corredores, como duas crianças levadas, prestes a aprontar.
Entraram no quarto e se sentiram aliviados. Estavam ali, tranquilos. Tinham tempo, tinham um ao outro. Tinham desejo. Ela tirou as botas, enquanto ele a observava. Via como ela era linda, sedutora, como ela o tinha encantado. E estava ali, diante dela, prestes a tê-la nos seus braços.
Sem pressa, curtiram a cama, os beijos, os abraços, as roupas sendo tiradas. Ele ficou impressionado ao vê-la sem roupa. Como era linda, que corpo tinha... E aquela lingerie preta, em contraste com sua pele.
Ele sentiu o gosto dela na boca, nos lábios. Ela o sentiu com a boca, com o corpo, com os olhos, com o seu calor. Os dois se fizeram um. Ele queria dar a ela os olhos fechados, a mordida no lábio, as unhas apertando suas coxas. Queria dar a ela aquele sorriso gostoso. Ela queria fazer ele sentir como um choque pelo corpo todo, fazer ele sentir o sangue ferver nas veias...
Fizeram daquela noite inesquecível. Fizeram daquela sexta-feira um encontro de um paulista com uma mineira. Seria o primeiro. Tornou-se também o último.
Se falaram pouco depois. Disseram que o encontro podia ir muito além daquilo. Que ele poderia visitá-la em Belo Horizonte. Que ela poderia vir a São Paulo. Sonhos e desejos de se ver que nunca foram concretizados.
Ela não o procurou. Ele não a procurou. Não tentaram mais. Ele se arrependeu de não ter tentado vê-la. Ela se arrependeu de ter apenas esperado por ele. A distância e o tempo foram apagando os contatos de um com o outro. Quando deram por si, não conseguiram mais encontrar uma maneira de se falar. Tinham perdido o contato completamente. Nem telefone, nem e-mail, nem msn, nem Orkut, nem nada. Só tinham consigo a lembrança. Mais nada.
No começo, o que chamava a atenção era o sotaque. Forte, carregado, comendo letras e destilando charme. Aos poucos, apareceu a inteligência, um rosto com traços fortes, uma boca grande, cabelo castanho claro, pintado. Uma cor que parecia caramelo.
Viam-se em reuniões semanais. A orientadora fazia questão que todos, uma vez por semana, estivessem juntos: doutorandos, mestrandos e nós, de iniciação científica. A cada semana, alguns apresentavam resultados parciais de suas pesquisas e colocavam o trabalho para ser questionado, receber sugestões.
Aos poucos, conversaram mais. Afinal, ela era jornalista formada, uma área que muito interessava a ele. Morava em Minas, vinha a São Paulo apenas para receber a orientação sobre seu trabalho. Tinha uma filha de cinco anos.
Algumas conversas do lado de fora da sala de reuniões. Ao ar livre, enquanto ela fumava, sempre com uma ou outra pessoa do grupo junto. Uma mulher alta, quase sempre usando saias escuras, quase sempre pretas. O sorriso, a fala sempre tranquila, com aquele sotaque mineiro típico, gostoso de ouvir.
Olhares. Foi o que fizeram por algum tempo, até trocarem também sorrisos. Passaram a conversar mais. Resolveram conversar também pelo msn. Foi aí que começaram a conversar sozinhos - pessoalmente estavam sempre acompanhados de outras pessoas.
As conversas aqueceram a relação. A amizade, a princípio, mas estava claro que os dois queriam ver até onde aquilo ia. Embora ele fosse mais novo, estivesse na graduação enquanto ela fazia doutorado, tinham conversas ótimas. A diferença de idade não era tão grande. Ele tinha 20, ela 25.
Descobriu que no começo, quando se conheceram, ela era casada. Muito bem casada. Mas aconteceram problemas, se separaram. A filha dela era dele. Casou-se jovem, separou-se também muito jovem. Charmosa, interessante, inteligente e linda, deu espaço para que se aproximassem, flertassem.
Resolveram marcar um encontro. Ela já não dormia mais em hotéis quando vinha a São Paulo - ficava na casa de uma amiga, também do grupo da orientadora. Mas naquele dia, fingiria que iria embora, se encontraria com ele e passariam a noite juntos.
Se encontraram. Ela com malas, ele a ajudou. Foram até um restaurante bar, tomar uma cerveja, conversar. Aquele sotaque o fazia sentir-se mais e mais encantado por ela. Ela, com um olhar sereno, sedutor, fitava-o no fundo dos olhos.
Acendeu um cigarro enquanto ele falava. Ela já tinha bebido chopp com groselha, ele cerveja. Beberam um pouco mais enquanto conversavam.
Ela estava do outro lado da mesa, mas veio para o lado dele. Os olhos dos dois se procuraram. Os rostos se aproximaram. Aquela boca enorme, com lábios grossos o atraía. Ela não conseguia parar de olhar os olhos cor de mel, não aguentava mais de vontade de beijar aquela boca que via na sua frente. O beijo, com os lábios quentes, foi inevitável.
- Achei que isso nunca fosse acontecer - disse ela.
Ele também não. Na verdade, não imaginava que pudesse acontecer. Não se imaginaram juntos no começo, mas a atração nascer, cresceu e se tornou forte. Os levou até ali, juntos.
- Aqui perto fica o hotel onde me hospedava quando vinha para cá, nas primeiras vezes. É simples, barato, mas serve para passarmos a noite.
Seguiram para lá. Lugar bem simples, preço acessível. Quartos pequenos. Com cara de motel. Se registraram no hotel, por uma noite apenas. Seguiram, sorrindo, para o quarto. As mãos dadas nos corredores, como duas crianças levadas, prestes a aprontar.
Entraram no quarto e se sentiram aliviados. Estavam ali, tranquilos. Tinham tempo, tinham um ao outro. Tinham desejo. Ela tirou as botas, enquanto ele a observava. Via como ela era linda, sedutora, como ela o tinha encantado. E estava ali, diante dela, prestes a tê-la nos seus braços.
Sem pressa, curtiram a cama, os beijos, os abraços, as roupas sendo tiradas. Ele ficou impressionado ao vê-la sem roupa. Como era linda, que corpo tinha... E aquela lingerie preta, em contraste com sua pele.
Ele sentiu o gosto dela na boca, nos lábios. Ela o sentiu com a boca, com o corpo, com os olhos, com o seu calor. Os dois se fizeram um. Ele queria dar a ela os olhos fechados, a mordida no lábio, as unhas apertando suas coxas. Queria dar a ela aquele sorriso gostoso. Ela queria fazer ele sentir como um choque pelo corpo todo, fazer ele sentir o sangue ferver nas veias...
Fizeram daquela noite inesquecível. Fizeram daquela sexta-feira um encontro de um paulista com uma mineira. Seria o primeiro. Tornou-se também o último.
Se falaram pouco depois. Disseram que o encontro podia ir muito além daquilo. Que ele poderia visitá-la em Belo Horizonte. Que ela poderia vir a São Paulo. Sonhos e desejos de se ver que nunca foram concretizados.
Ela não o procurou. Ele não a procurou. Não tentaram mais. Ele se arrependeu de não ter tentado vê-la. Ela se arrependeu de ter apenas esperado por ele. A distância e o tempo foram apagando os contatos de um com o outro. Quando deram por si, não conseguiram mais encontrar uma maneira de se falar. Tinham perdido o contato completamente. Nem telefone, nem e-mail, nem msn, nem Orkut, nem nada. Só tinham consigo a lembrança. Mais nada.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Cartas Reais, final
Não sei como te chamar. Então, vou dizer simplesmente você.
Não sei o que aconteceu. Talvez o encanto tenha se quebrado. Ao pensar uma razão, diria que não sei por que. Pensando mais, diria que por sua frieza. Ela chega a ser assustadora. Mas vai além disso. Tem o outro. Ou melhor, tem ele. Talvez ele seja o principal - e acredito que foi isso que te tornou ainda mais distante.
A intensidade foi enorme, mas o tempo foi curto. Demorou pouco para sair de foco, ir para o canto, tornar-se marginal. Não é fundamental. Apenas seria bom. Muito bom. Acredito até que se tornaria inesquecível. Mas não foi. Arriscaria dizer que não será, mas Fiona Apple me corrigiu quando pensei isso. Ela diz: "Never is a promise that you can't afford to life". Ela tem razão. Nunca é um tempo que não existe.
Se o fim não é para sempre, é um fim. O fim dessas cartas que você provavelmente não lerá. É o fim de um conjunto de sentimentos e algumas palavras. Eu gosto de pensar que todo final é um novo começo. Assim espero.
Não sei o que aconteceu. Talvez o encanto tenha se quebrado. Ao pensar uma razão, diria que não sei por que. Pensando mais, diria que por sua frieza. Ela chega a ser assustadora. Mas vai além disso. Tem o outro. Ou melhor, tem ele. Talvez ele seja o principal - e acredito que foi isso que te tornou ainda mais distante.
A intensidade foi enorme, mas o tempo foi curto. Demorou pouco para sair de foco, ir para o canto, tornar-se marginal. Não é fundamental. Apenas seria bom. Muito bom. Acredito até que se tornaria inesquecível. Mas não foi. Arriscaria dizer que não será, mas Fiona Apple me corrigiu quando pensei isso. Ela diz: "Never is a promise that you can't afford to life". Ela tem razão. Nunca é um tempo que não existe.
Se o fim não é para sempre, é um fim. O fim dessas cartas que você provavelmente não lerá. É o fim de um conjunto de sentimentos e algumas palavras. Eu gosto de pensar que todo final é um novo começo. Assim espero.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cartas Reais, 2
Querida,
Insisto em te chamar de querida, porque é assim que sinto você. Ainda que tenhamos ficado afastados nas conversas, que não tenhamos mais ficados próximos um do outro, que eu não tenha sentido mais o calor das suas mãos. Ainda assim, você é muito querida por mim.
Por razões que eu não sei explicar, sinto-me bem quando te vejo, te ouço. Sua frieza quando nos falamos algumas vezes me congelou. Não conseguia ver uma palavra amistosa, ainda que você nunca tenha deixado de ser educada. Você parecia estar do outro lado do oceano.
A verdade é que fiquei frágil quando descobri o quanto gosto de você. Só via a fortaleza ao seu redor e perdi os seus olhos te vista, que não me fitavam mais.
A tua frieza unida à minha timidez me impediram de te dizer tudo que eu queria. Me impediram de dizer o quanto você mexe comigo, o quanto seu sorriso me faz feliz, o quanto sonhei com o nosso primeiro beijo.
Nossa distância, ainda que apenas emocional, acabou sendo boa. Pude colocar meus pensamentos em ordem e o sentimento por você pode amadurecer. Deixou aquela sensação de ímpeto para traz, mas ainda faz meu coração explodir no peito quando te vê. Vejo você nos meus sonhos, imaginando você nos meus braços...
Talvez o tempo tenha nos reaproximado um pouco, talvez eu mesmo tenha ficado mais perto, talvez você tenha me olhado com mais carinho. Fato é que você continua linda, sua pele continua macia cada vez que eu a toco, seu sorriso cheio de mistérios continua me seduzindo em cada sonho que toco nos seus lábios...
Insisto em te chamar de querida, porque é assim que sinto você. Ainda que tenhamos ficado afastados nas conversas, que não tenhamos mais ficados próximos um do outro, que eu não tenha sentido mais o calor das suas mãos. Ainda assim, você é muito querida por mim.
Por razões que eu não sei explicar, sinto-me bem quando te vejo, te ouço. Sua frieza quando nos falamos algumas vezes me congelou. Não conseguia ver uma palavra amistosa, ainda que você nunca tenha deixado de ser educada. Você parecia estar do outro lado do oceano.
A verdade é que fiquei frágil quando descobri o quanto gosto de você. Só via a fortaleza ao seu redor e perdi os seus olhos te vista, que não me fitavam mais.
A tua frieza unida à minha timidez me impediram de te dizer tudo que eu queria. Me impediram de dizer o quanto você mexe comigo, o quanto seu sorriso me faz feliz, o quanto sonhei com o nosso primeiro beijo.
Nossa distância, ainda que apenas emocional, acabou sendo boa. Pude colocar meus pensamentos em ordem e o sentimento por você pode amadurecer. Deixou aquela sensação de ímpeto para traz, mas ainda faz meu coração explodir no peito quando te vê. Vejo você nos meus sonhos, imaginando você nos meus braços...
Talvez o tempo tenha nos reaproximado um pouco, talvez eu mesmo tenha ficado mais perto, talvez você tenha me olhado com mais carinho. Fato é que você continua linda, sua pele continua macia cada vez que eu a toco, seu sorriso cheio de mistérios continua me seduzindo em cada sonho que toco nos seus lábios...
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Cartas Reais
Querida,
A idéia dessa carta surgiu depois da minha angústia por não ter te falado tudo que pensei. Não falei porque não achei que era necessário. Achei que meus olhares, minha voz, meus gestos e todas as vezes que eu peguei na sua mão tivessem sido suficientes. Fiquei agoniado quando vi que não foi e as palavras ficaram engasgadas na minha boca, explodindo no meu peito.
Sinto sua falta. Falta das nossas conversas, da proximidade, do calor das suas mãos. Sinto falta do seu sorriso...
Queria que aquela nossa dança não tivesse terminado. Queria estar com você, sentir seu perfume, tocar seu rosto, ouvir sua voz, te abraçar pela cintura e sentir meu coração pular para o seu peito. Depois daquela dança, você esteve tão distante... A nossa conversa sobre teatro me esquentou o coração, você provavelmente não sabe o quanto me fez bem. Te senti um pouco mais perto...
O clima de romance domina o nosso ambiente, você já reparou? Alguns casais se desenhavam há tempos. E um deles, adivinhe, somos nós. Os casais estão se consolidando cada vez mais, mas nós continuamos distantes.
Naquela noite, fiquei sem entender o que fez seus lábios ficarem tão distantes dos meus. Estivemos tão perto um do outro... Achei até que talvez fosse falha minha. Achei que devia ter falado todas as palavras que eu não disse, ao invés de tentar te conquistar com meus olhos, minhas mãos, minha proximidade.
Mas hoje você me mostrou a razão. E foi da pior forma possível. Quando você chegou na nossa roda de violões, músicas românticas e com casais se formando, você foi para os braços de outra pessoa. Me fez sentir o golpe frio da espada cortando meu peito quando o beijou.
Era ele. Foi por ele que você se esquivou de mim. Ele é primo de uma grande amiga sua. Mais do que tudo isso, o que me assusta é talvez você simplesmente não querer experimentar de toda paixão que guardo para você. Você só querer ele...
O Sonho de Valsa que eu levei só para você ficou guardado. Sou um romântico incurável e sei que pode parecer bobo. Queria poder olhar seu rosto e sentir seu sorriso esquentar meu peito... Queria dizer que você me faz bem, que seu jeito simples me encanta. Adoraria te dizer que você é linda, que você me faz sonhar.
Há uma semana, tinha certeza que teríamos o nosso primeiro beijo. Hoje, não sei nem se ele vai acontecer algum dia...
Com carinho,
....
A idéia dessa carta surgiu depois da minha angústia por não ter te falado tudo que pensei. Não falei porque não achei que era necessário. Achei que meus olhares, minha voz, meus gestos e todas as vezes que eu peguei na sua mão tivessem sido suficientes. Fiquei agoniado quando vi que não foi e as palavras ficaram engasgadas na minha boca, explodindo no meu peito.
Sinto sua falta. Falta das nossas conversas, da proximidade, do calor das suas mãos. Sinto falta do seu sorriso...
Queria que aquela nossa dança não tivesse terminado. Queria estar com você, sentir seu perfume, tocar seu rosto, ouvir sua voz, te abraçar pela cintura e sentir meu coração pular para o seu peito. Depois daquela dança, você esteve tão distante... A nossa conversa sobre teatro me esquentou o coração, você provavelmente não sabe o quanto me fez bem. Te senti um pouco mais perto...
O clima de romance domina o nosso ambiente, você já reparou? Alguns casais se desenhavam há tempos. E um deles, adivinhe, somos nós. Os casais estão se consolidando cada vez mais, mas nós continuamos distantes.
Naquela noite, fiquei sem entender o que fez seus lábios ficarem tão distantes dos meus. Estivemos tão perto um do outro... Achei até que talvez fosse falha minha. Achei que devia ter falado todas as palavras que eu não disse, ao invés de tentar te conquistar com meus olhos, minhas mãos, minha proximidade.
Mas hoje você me mostrou a razão. E foi da pior forma possível. Quando você chegou na nossa roda de violões, músicas românticas e com casais se formando, você foi para os braços de outra pessoa. Me fez sentir o golpe frio da espada cortando meu peito quando o beijou.
Era ele. Foi por ele que você se esquivou de mim. Ele é primo de uma grande amiga sua. Mais do que tudo isso, o que me assusta é talvez você simplesmente não querer experimentar de toda paixão que guardo para você. Você só querer ele...
O Sonho de Valsa que eu levei só para você ficou guardado. Sou um romântico incurável e sei que pode parecer bobo. Queria poder olhar seu rosto e sentir seu sorriso esquentar meu peito... Queria dizer que você me faz bem, que seu jeito simples me encanta. Adoraria te dizer que você é linda, que você me faz sonhar.
Há uma semana, tinha certeza que teríamos o nosso primeiro beijo. Hoje, não sei nem se ele vai acontecer algum dia...
Com carinho,
....
domingo, 21 de setembro de 2008
O gelo que não quebrou
Foto: duchesssa
Antes, era apenas uma festa, onde certamente beberia com os amigos, dançaria, enfim, diversão. Até a despedida de quinta, quando ela, segurando minha mão, perguntou se eu ia. Respondi que sim e ela disse que também iria. Uma sensação gostosa de satisfação pela boa surpresa me dominou da cabeça aos pés. Seria muito melhor do que eu tinha pensado.Veio o dia seguinte, a correria, tarefas intermináveis até mais de dez da noite. Era hora de irmos. Amigos todos juntos, enchemos o carro e fomos ao encontro dos demais, na casa de um deles - onde ela ainda se arrumaria e ficaria ainda mais linda.
"Qual batom?", ela perguntou, olhando para mim através do espelho que estava na nossa frente enquanto lavava meu rosto. "Rosa", disse, olhando um dos dois que ela tinha na mãos. Estava encantado com a beleza e a presença dela.
Éramos só os dois ali, um ao lado do outro, eu encantado com os olhos, a pele, a boca, o cabelo, o sorriso, a voz... Talvez por isso eu não tivesse a velocidade de raciocínio para dar respostas menos óbvias. Sentia que tinha tudo para ser aquele o dia que ficaríamos juntos pela primeira vez.
Na festa, fomos pegar bebidas juntos. Peguei na mão dela e ela não fez nenhuma questão de soltar. Parecia bom sinal. Depois, nos separamos por alguns minutos, até nos reencontrarmos novamente. Mais algumas tentativas de aproximação, quase sem palavras... Não sabia o que dizer.
Foto: Exian
Dança, dança, dança. Dançamos juntos. Bem juntos. Beijos no pescoço dela e parecia que o beijo finalmente sairia...Mas não saiu. E se me perguntarem por que, eu direi: não sei. Eu queria, eu achei que ela queria, nós dançávamos juntos, nossas bocas estavam tão perto... O que faltou?
Ao nosso lado, uma situação quase idêntica: um amigo dançava com outra amiga, mas o beijo ali também não saía.
Eu não consegui dizer a ela o quanto a queria. Tentava olhar nos olhos dela, que nunca se encontravam com os meus... Estávamos abraçados, dançando juntos, mas o beijo não acontecia. Não sabia o que fazer.
A música mudou, nos separamos de novo. Algum tempo depois, duas mulheres estavam dançando perto de nós. Uma se aproximou dançando grudada em um dos nossos amigos - que parecia não querer ela por perto.
Ela pouco a pouco foi se deslocando para minha direção, junto com outra menina. Começaram a se aproximar tanto que não tive pra onde fugir. Se esfregavam em mim, enquanto eu procurava por quem eu queria, por quem
As duas se esfregavam Uma dela tentou me beijar. "Deixa eu te beijar", ela me disse, depois de algumas tentativas frustradas de aproximar a boca da minha. "É melhor não", eu respondi. Não queria mais ninguém. Só queria uma. Se não fosse ela, não queria mais ninguém aquela noite.
Na despedida, ela beijou meu rosto. Olhando para ela, com aqueles olhos me fitando, disse: "você está linda..."
A noite que tinha tudo para ser a primeira junto acabou só com mais expectativa. Como bem disse o grande amigo que passou pela mesma situação (lembra da cena da dança? Era ele), não adianta pensar no que poderia ter feito - embora seja inevitável pensar nela...
O que sobrou foi a lembrança dela, do sorriso, dos momentos de mãos dadas, da dança... E da expectativa pelo beijo, que continua intensa...
domingo, 24 de agosto de 2008
Disputa silenciosa
O tempo passava, já era noite, e o trabalho não acabava. Cada vez mais tarde, o relógio parecia gritar que já era hora de ir. Aquela angústia do "não vai dar tempo" me dominava. Sabendo que eu demoraria um tempão para ir para casa, me arrumar e depois ir à festa, só pensava em ir embora.
Entre idas e vindas, banho correndo, corrida contra o relógio - qualquer vacilo e eu perderia a chance de ir, porque o relógio já marcava mais de 11 horas da noite. No fim, com correria e tudo, cheguei ao local.
Noite de festa. As pessoas arrumadas, perfumadas, prontas para uma noite que prometia muita diversão. Luzes, bebida, luzes, mais bebida. E de repente, um beijo nos surpreende. Eu sabia quem era e senti uma ponta de inveja. Tinha pensado em ficar com ela, a idéia ainda estava na minha cabeça quando vi a cena. Mas a festa continua.
E com vários bons momentos. Músicas, risadas, amigos, performances - com músicas que nos faziam lembrar momentos da infância e adolescência. Um banho de diversão.
E no meio do pisca pisca de luzes, da música alta, da dança meio desengonçada, ela aparece do meu lado. Sorri para mim, enquanto dançamos. Talvez o sorriso fosse mais pelo momento do que para mim, especificamente, mas não importava.
A dança nos aproximou, nosso quadris encontraram-se, meus braços a envolveram, senti seu sorriso mais perto... Suave, porém rapidamente, ela fez um movimento que a fez sair de perto de mim e voltar aos braços de quem ela tinha beijado.
Não tinha percebido, mas ela não saíra de perto dele - esse momento perto de mim foi uma exceção, observada por ele, inclusive. Senti ali um olhar de disputa, onde ele saía vencedor - o que, para mim, sempre foi difícil de engolir, mesmo tendo acontecido muito mais vezes do que o sucesso.
A festa passou. O desejo parecia que tinha ficado por lá também. Passou por um momento incólume. Aos poucos, porém, ela foi emergindo. Passou por uma intensidade quase incontrolável, fruto das conversas que se seguiram, cada vez mais freqüentes - e cada vez melhores.
Vi, então, aquela figura que a tinha beijado. Primo de alguém de nossa sala, vinha sempre para vê-la. A princípio, me pareceu que era apenas uma coincidência, mas a freqüencia começou a mostrar que não. Nunca mais os vi juntos, nem beijos, nem mãos dadas, mas a presença dele ali, de vez em quando, queria dizer algo.
Os dias se seguem, até que vem outra festa, mas dessa vez só entre amigos próximos, colegas de sala. Bebidas, risadas, música, dança e alegria. A proximidade dos nossos corpos se repetiu. Pareceu quase certo.
Cheguei a ouvir o "vai fundo" assim que ela se ausentou por poucos minutos. Ela voltava, nos abraçávamos para fotos, nossas mão se uniam por alguns segundos. O magnetismo de nossos corpos nos faziam ficar perto a noite toda.
No fim, nada além dos olhares, dos rostos próximos, dos abraços pela cintura. Mas ainda teria tempo...
Com o tempo passando, poucas foram as chances que surgiram como aquela. Mas o dia-a-dia de convívio foi trazendo boas surpresas, proximidade, palavras, interação, mãos próximas, sorrisos...
Mas a disputa voltou à tona, quando nos encontramos virtualmente, sempre através dela. E quando voltei a vê-lo ir visitá-la.
Chegamos a conversar várias vezes sobre vários assuntos - ele é uma pessoa inteligente e eu não sabia o que esperar dali. Fato é que a disputa, ainda que silenciosa, continuava.
E a cada novo capítulo, o jogo parece mais confuso. Se ganho pontos de um lado, vejo ela perto dele por outro. E só ela sabe para que lado a balança pesa - até porque eu não sabia o que acontece do lado de lá. Talvez nem quisesse saber...
Ela sabia que essa disputa acontecia. Desde a noite da festa, ela já tinha percebido. E certamente sabe que existia alguma disputa...
Entre idas e vindas, banho correndo, corrida contra o relógio - qualquer vacilo e eu perderia a chance de ir, porque o relógio já marcava mais de 11 horas da noite. No fim, com correria e tudo, cheguei ao local.
Noite de festa. As pessoas arrumadas, perfumadas, prontas para uma noite que prometia muita diversão. Luzes, bebida, luzes, mais bebida. E de repente, um beijo nos surpreende. Eu sabia quem era e senti uma ponta de inveja. Tinha pensado em ficar com ela, a idéia ainda estava na minha cabeça quando vi a cena. Mas a festa continua.
E com vários bons momentos. Músicas, risadas, amigos, performances - com músicas que nos faziam lembrar momentos da infância e adolescência. Um banho de diversão.
E no meio do pisca pisca de luzes, da música alta, da dança meio desengonçada, ela aparece do meu lado. Sorri para mim, enquanto dançamos. Talvez o sorriso fosse mais pelo momento do que para mim, especificamente, mas não importava.
A dança nos aproximou, nosso quadris encontraram-se, meus braços a envolveram, senti seu sorriso mais perto... Suave, porém rapidamente, ela fez um movimento que a fez sair de perto de mim e voltar aos braços de quem ela tinha beijado.
Não tinha percebido, mas ela não saíra de perto dele - esse momento perto de mim foi uma exceção, observada por ele, inclusive. Senti ali um olhar de disputa, onde ele saía vencedor - o que, para mim, sempre foi difícil de engolir, mesmo tendo acontecido muito mais vezes do que o sucesso.
A festa passou. O desejo parecia que tinha ficado por lá também. Passou por um momento incólume. Aos poucos, porém, ela foi emergindo. Passou por uma intensidade quase incontrolável, fruto das conversas que se seguiram, cada vez mais freqüentes - e cada vez melhores.
Vi, então, aquela figura que a tinha beijado. Primo de alguém de nossa sala, vinha sempre para vê-la. A princípio, me pareceu que era apenas uma coincidência, mas a freqüencia começou a mostrar que não. Nunca mais os vi juntos, nem beijos, nem mãos dadas, mas a presença dele ali, de vez em quando, queria dizer algo.
Os dias se seguem, até que vem outra festa, mas dessa vez só entre amigos próximos, colegas de sala. Bebidas, risadas, música, dança e alegria. A proximidade dos nossos corpos se repetiu. Pareceu quase certo.
Cheguei a ouvir o "vai fundo" assim que ela se ausentou por poucos minutos. Ela voltava, nos abraçávamos para fotos, nossas mão se uniam por alguns segundos. O magnetismo de nossos corpos nos faziam ficar perto a noite toda.
No fim, nada além dos olhares, dos rostos próximos, dos abraços pela cintura. Mas ainda teria tempo...
Com o tempo passando, poucas foram as chances que surgiram como aquela. Mas o dia-a-dia de convívio foi trazendo boas surpresas, proximidade, palavras, interação, mãos próximas, sorrisos...
Mas a disputa voltou à tona, quando nos encontramos virtualmente, sempre através dela. E quando voltei a vê-lo ir visitá-la.
Chegamos a conversar várias vezes sobre vários assuntos - ele é uma pessoa inteligente e eu não sabia o que esperar dali. Fato é que a disputa, ainda que silenciosa, continuava.
E a cada novo capítulo, o jogo parece mais confuso. Se ganho pontos de um lado, vejo ela perto dele por outro. E só ela sabe para que lado a balança pesa - até porque eu não sabia o que acontece do lado de lá. Talvez nem quisesse saber...
Ela sabia que essa disputa acontecia. Desde a noite da festa, ela já tinha percebido. E certamente sabe que existia alguma disputa...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Conto: o dia em que a namorada sumiu
Na quinta-feira à noite, todos do escritório se preparavam para sair. Seria uma noite cheia, pois nessa data se comemoraria o dia dos namorados. Mas Cleber só pensava no domingo anterior. Foi nesse dia que ele viu Suzana pela última vez.
Os detalhes ainda estão frescos em sua memória. Discutiram superficialmente sobre o fato da Suzana, ao estar dirigindo, não pegou a saída da via expressa e que teriam de contornar por um longo e tortuoso caminho, de volta para casa. A discussão foi áspera, mas brevemente esquecida. Fizeram amor naquela noite e se despediram com sorrisos no rosto.
Na segunda-feira, não se falaram. Cleber esteve ocupado o dia inteiro e só voltou para casa à tempo de dormir. Antes de pregar os olhos, porém, escreveu uma mensagem para o celular da companheira de como a noite anterior tinha sido boa.
Não havia resposta dela no dia seguinte. E assim permaneceu. Cleber decidiu ligar para Suzana, mas pôde apenas ouvir o telefone chamando até a linha cair. Tentou repetidas vezes, mas prevalecia o monótono tom de lá intercalado de silêncio.
Dúvidas mortais afligem Cleber. Será que ela foi sequestrada? Fugiu? Seria ele tão assim insuportável a ponto de alguém simplesmente fugir? Estaria ele sufocando e a impedindo de viver plenamente, de acordo com sua alma e natureza?
Silêncio. Hoje, no dias dos namorados, muito estão felizes, alguns indiferentes e outros desesperados. Cleber está vazio. Sua mente revisita cada segundo de convivência com Suzana, em busca de pistas sobre o seu desaparecimento. Saindo do escritório, Cleber caminha para o carro e encontra as flores, o porta-retrato e o DVD que comprara. Dirige instintivamente e logo se percebe parado em frente ao prédio dela.
Toca o interfone e aguarda 15 minutos. Quando vira-se para ir ao carro, uma voz feminina, eletronicamente modificada o chama. Não é a voz de Suzana.
"Desculpe, mas eu te vi pela janela". Cleber levanta o rosto e vê uma silhueta em uma janela acesa. e logo depois completa: "Pode subir".
Os detalhes ainda estão frescos em sua memória. Discutiram superficialmente sobre o fato da Suzana, ao estar dirigindo, não pegou a saída da via expressa e que teriam de contornar por um longo e tortuoso caminho, de volta para casa. A discussão foi áspera, mas brevemente esquecida. Fizeram amor naquela noite e se despediram com sorrisos no rosto.
Na segunda-feira, não se falaram. Cleber esteve ocupado o dia inteiro e só voltou para casa à tempo de dormir. Antes de pregar os olhos, porém, escreveu uma mensagem para o celular da companheira de como a noite anterior tinha sido boa.
Não havia resposta dela no dia seguinte. E assim permaneceu. Cleber decidiu ligar para Suzana, mas pôde apenas ouvir o telefone chamando até a linha cair. Tentou repetidas vezes, mas prevalecia o monótono tom de lá intercalado de silêncio.
Dúvidas mortais afligem Cleber. Será que ela foi sequestrada? Fugiu? Seria ele tão assim insuportável a ponto de alguém simplesmente fugir? Estaria ele sufocando e a impedindo de viver plenamente, de acordo com sua alma e natureza?
Silêncio. Hoje, no dias dos namorados, muito estão felizes, alguns indiferentes e outros desesperados. Cleber está vazio. Sua mente revisita cada segundo de convivência com Suzana, em busca de pistas sobre o seu desaparecimento. Saindo do escritório, Cleber caminha para o carro e encontra as flores, o porta-retrato e o DVD que comprara. Dirige instintivamente e logo se percebe parado em frente ao prédio dela.
Toca o interfone e aguarda 15 minutos. Quando vira-se para ir ao carro, uma voz feminina, eletronicamente modificada o chama. Não é a voz de Suzana.
"Desculpe, mas eu te vi pela janela". Cleber levanta o rosto e vê uma silhueta em uma janela acesa. e logo depois completa: "Pode subir".
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Sedução, em duas visões
Não há jogo mais interessante que o da sedução. Essa relação que envolve mistério, sorrisos, pequenos gestos, roupas, olhos, boca, pele, palavras em uma combinação que não tem fórmula. É inevitável que cada um olhe de uma forma uma mesma situação, ainda mais quando é algo que envolve a sedução silenciosa.Sedução silenciosa é aquela que nenhum dos lados levanta a bandeira da conquista, mostrando claramente suas intenções. É um jogo de olhares, palavras que tangenciam a sedução pelo tom de voz e pelo jeito de falar mais do que pelo seu conteúdo e pequenos gestos. Não sa sabe bem o que se passa na cabeça do outro e o jogo é sempre recheado de mistério.
Festa é sempre bom. Bebida, amigos, risadas. E conversas aqui e ali, sorrisos aqui e ali, comentários com amigos. Sentei ao lado de uma bela menina, que sempre me chama muito a atenção e com quem sempre tenho ótimas conversas. Ela pareceu feliz. Sorria enquanto falávamos e acabamos ficando um bom tempo ao lado um do outro, enquanto conversávamos com outras pessoas, tirávamos fotos e jogávamos o sempre interessante "Eu nunca".
Até que eu ouvi um comentário dizendo "ah, vai pegar, hein!" (masculino, claro). Dei risada e levei na brincadeira, para esconder que fiquei encabulado.
Eis que me surpreende um comentário, alguns dias depois, me dizendo que eu "dei pra trás". Não entendi direito e me revelaram algo que me surpreendeu mais ainda: ela tinha dado em cima de mim e eu não fiquei com ela. Fiquei surpreso porque, na minha visão, tinha sido uma paquera discreta, sutil, quase imperceptível. E se alguém tinha dado em cima, eu achei que esse alguém seria eu.
Também não esqueço que minha irmã sempre diz que eu não consigo perceber quando uma mulher me paquera. Talvez tenha acontecido isso mesmo, mas eu não consigo enxergar isso nem quando eu resgato as imagens na memória. Mas quem vê de fora, sempre vê diferente. Mas confesso que foi divertido relembrar tudo que aconteceu com o olhar que me contaram.
terça-feira, 6 de maio de 2008
A elegância e sensualidade do frio
Ah, o frio! Começou a nos acompanhar em São Paulo desde quarta-feira, véspera de feriado. Particularmente, eu gosto desse clima mais frio. Gosto porque percebo que as mulheres, especialmente, passam a se vestir ainda melhor.Mais do que se vestir melhor, as mulheres conseguem ser mais sedutoras no frio do que no calor. Talvez porque o calor exija menos roupa e isso, por si só, exerça um poder de sedução.
No frio, as mulheres podem mostrar menos o corpo. Talvez, então, seja por isso que as mulheres ficam mais sedutoras. Capricham mais na maquiagem, nos acessórios, nas roupas. Vejo muito mais mulheres sedutoras no frio.
Não tenho a menor dúvida que isso tem muito a ver com a minha preferência pela combinação deliciosamente sedutora de botas e meia-calça. Às vezes até com saia, já que a meia proteje do frio. Uma combinação dessa é uma mistura intensa de beleza e sedução.
Que o frio dure muito para poder admirar o que as elegantes moças nos oferecem ao olhar...
quarta-feira, 9 de abril de 2008
As mulheres reclamam...
... da falta de homens!
Fiquei bastante surpreso. Em menos de um mês, três amigas me confidenciaram que sofrem na busca de um parceiro decente. E, ao comentar essa história com outras pessoas, recebi outras informações similares das amigas das amigas. E são todas lindas, inteligentes e grandes companheiras.
Aparentemente, essa revelação súbita revela que há desilusões amorosas em ambos sexos. Pessoas que não correspondem às expectativas, que não têm os mesmos desejos ou que simplesmente vivem momentos distintos da vida.
Tá, mas qual é a grande surpresa? Na verdade, foi a revelação complementar de que, sim, sobram homens, mas faltam homens decentes. Epa! Como assim? Para um blog que fala sobre jogos de conquistas, paixões ou paixonites, trata-se de um sinal preocupante. O que nós, homens, estamos fazendo de errado? Ou as melhores mulheres do cenário se tornaram mais exigentes?
Essas pessoas que me confessaram suas aflições também me perguntaram onde poderiam conhecer gente interessante. Como se lá eu soubesse a resposta. Infelizmente, não obtive uma descrição fiel do que é um homem "decente" que eu pudesse compartilhar com os pobres mortais do sexo masculino. Mas a verdade é que se sentem carentes. E a culpa é nossa, acreditem ou não.
PS: Aos curiosos que querem saber quem são tais garotas, saibam que sou um péssimo cupido.
Fiquei bastante surpreso. Em menos de um mês, três amigas me confidenciaram que sofrem na busca de um parceiro decente. E, ao comentar essa história com outras pessoas, recebi outras informações similares das amigas das amigas. E são todas lindas, inteligentes e grandes companheiras.
Aparentemente, essa revelação súbita revela que há desilusões amorosas em ambos sexos. Pessoas que não correspondem às expectativas, que não têm os mesmos desejos ou que simplesmente vivem momentos distintos da vida.
Tá, mas qual é a grande surpresa? Na verdade, foi a revelação complementar de que, sim, sobram homens, mas faltam homens decentes. Epa! Como assim? Para um blog que fala sobre jogos de conquistas, paixões ou paixonites, trata-se de um sinal preocupante. O que nós, homens, estamos fazendo de errado? Ou as melhores mulheres do cenário se tornaram mais exigentes?
Essas pessoas que me confessaram suas aflições também me perguntaram onde poderiam conhecer gente interessante. Como se lá eu soubesse a resposta. Infelizmente, não obtive uma descrição fiel do que é um homem "decente" que eu pudesse compartilhar com os pobres mortais do sexo masculino. Mas a verdade é que se sentem carentes. E a culpa é nossa, acreditem ou não.
PS: Aos curiosos que querem saber quem são tais garotas, saibam que sou um péssimo cupido.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Olá Enfermeira, parte 3
Nos encontrávamos quase todos os dias, e como passamos a conversar, começamos a trocar mais do que sorrisos e gentilezas. Era conversas dos mais variados tipos, o que foi nos aproximando cada vez mais.
Mas eu lembro bem do dia que eu a vi, mas ela estava sentada ao lado de um outro cara, conversando. Cumprimentei-a, sorrimos, mas fiquei separado dela. Sentei no banco bem à frente dela, o que me permitiu ouvir grande parte da conversa dos dois.
Conversa vai, conversa vem, ouvi o rapaz do lado dela comentar sobre a viagem que ela fez pela Europa nas férias, sobre as amigas, os amigos em comum - o que me leva a crer que se conhecem há tempos, talvez da escola - e sobre o... namorado.
Namorado?
Fiquei mais atento ainda. Ela não tocou mais no assunto.
Começamos a nos falar também pela internet, pelo msn e orkut. Passei a elogiá-la com mais freqüencia, já que tinha perdido parte da vergonha que segurava minhas palavras no começo. Ela, modesta, sempre dizia "só você mesmo..."
Foi lá no orkut também que confirmei: ela namorava mesmo. E pelo jeito, há bastante tempo. Tem até fotos dos dois.
É claro que foi uma decepção. Mas, por outro lado, sou bastante observador. Não nos falamos mais com tanta freqüência, mas pude perceber que ela mudou o "status" do relacionamento de "casada" para "namorando". Não significa muito, aparentemente. Mas juntando isso ao fato de ela, vez por outra, vir me deixar recado, me perguntando como estou e dizendo que sente minha falta nas manhãs que vai ao trabalho, temos um quadro possível de esperança...
Mas eu lembro bem do dia que eu a vi, mas ela estava sentada ao lado de um outro cara, conversando. Cumprimentei-a, sorrimos, mas fiquei separado dela. Sentei no banco bem à frente dela, o que me permitiu ouvir grande parte da conversa dos dois.
Conversa vai, conversa vem, ouvi o rapaz do lado dela comentar sobre a viagem que ela fez pela Europa nas férias, sobre as amigas, os amigos em comum - o que me leva a crer que se conhecem há tempos, talvez da escola - e sobre o... namorado.
Namorado?
Fiquei mais atento ainda. Ela não tocou mais no assunto.
Começamos a nos falar também pela internet, pelo msn e orkut. Passei a elogiá-la com mais freqüencia, já que tinha perdido parte da vergonha que segurava minhas palavras no começo. Ela, modesta, sempre dizia "só você mesmo..."
Foi lá no orkut também que confirmei: ela namorava mesmo. E pelo jeito, há bastante tempo. Tem até fotos dos dois.
É claro que foi uma decepção. Mas, por outro lado, sou bastante observador. Não nos falamos mais com tanta freqüência, mas pude perceber que ela mudou o "status" do relacionamento de "casada" para "namorando". Não significa muito, aparentemente. Mas juntando isso ao fato de ela, vez por outra, vir me deixar recado, me perguntando como estou e dizendo que sente minha falta nas manhãs que vai ao trabalho, temos um quadro possível de esperança...
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
O brilho da Lua
A suavidade daquele sorriso me despertou curiosidade. A alegria radiante do seu semblante me levou a vê-la mais de perto. Descobri, então, que era uma idealista. Estuda Serviço Social. Uma mulher de beleza deliciosa, delicadamente magra.
As minhas palavras despertaram a curiosidade dela também. Respondeu com palavras doces, que eu vi se repetirem algumas vezes. As conversas no msn intensificaram-se, a simpatia dela contagiava, sua inteligência e beleza formavam uma dupla incrivelmente sedutora.
O rosto delicado e o corpo magro eram de uma menina, quase adolescente. A inteligência e a sutil malícia eram de uma mulher de 25. A conversa frente a frente, com os rostos próximos e as bocas perigosamente próximas, criaram uma atmosfera de encanto. Encanto pela beleza, pelo sorriso, pela delicadeza, pela sedução.
O primeiro encontro foi das nossas mentes. Um mudeu, novo, belo, interessante. Um apreciador da história como eu se farta em um lugar como aquele. O seu sorriso era extremamente atraente, eu tinha vontade de pegá-la pela cintura e fazer dela minha. Mas esperei. Quis deixar que as coisas acontecessem a seu tempo. Minha atitude, em casos semelhantes, teria sido de partir para um ataque de uma vez, vencendo a timidez e solidificado na auto-confiança.
Com um cenário contraditoriamente belo e terrível, a estação Julio Prestes, nos conhecemos melhor, falamos de política, problemas sociais. Aqueles lábios eram um desejo meu, e sabia que ia realizá-lo.
Nos despedimos, esperei que ela fosse para ir embora também. Deixei, maliciosamente, tudo para o segundo encontro, que eu sabia que aconteceria. Aquele certo mistério, que sempre faz bem... Aquele jogo estava apenas começando.
As minhas palavras despertaram a curiosidade dela também. Respondeu com palavras doces, que eu vi se repetirem algumas vezes. As conversas no msn intensificaram-se, a simpatia dela contagiava, sua inteligência e beleza formavam uma dupla incrivelmente sedutora.
O rosto delicado e o corpo magro eram de uma menina, quase adolescente. A inteligência e a sutil malícia eram de uma mulher de 25. A conversa frente a frente, com os rostos próximos e as bocas perigosamente próximas, criaram uma atmosfera de encanto. Encanto pela beleza, pelo sorriso, pela delicadeza, pela sedução.
O primeiro encontro foi das nossas mentes. Um mudeu, novo, belo, interessante. Um apreciador da história como eu se farta em um lugar como aquele. O seu sorriso era extremamente atraente, eu tinha vontade de pegá-la pela cintura e fazer dela minha. Mas esperei. Quis deixar que as coisas acontecessem a seu tempo. Minha atitude, em casos semelhantes, teria sido de partir para um ataque de uma vez, vencendo a timidez e solidificado na auto-confiança.
Com um cenário contraditoriamente belo e terrível, a estação Julio Prestes, nos conhecemos melhor, falamos de política, problemas sociais. Aqueles lábios eram um desejo meu, e sabia que ia realizá-lo.
Nos despedimos, esperei que ela fosse para ir embora também. Deixei, maliciosamente, tudo para o segundo encontro, que eu sabia que aconteceria. Aquele certo mistério, que sempre faz bem... Aquele jogo estava apenas começando.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Músicas silenciosas
Música que une
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Coloca um fone de ouvido e oferece o outro a ela, que aceita. Ela ri - provavelmente da música que ele escolheu. Começam a rir juntos, conversam sobre as músicas que ouvem. Fazem as pazes.
Essa história é real.
Música que desune
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Ele coloca os dois fones de ouvido e vira o rosto para a janela. Ela olha para ele e tenta imaginar o que estará ouvindo. Sente o isolamento como um soco no estômago. Os dois seguem a viagem magoados e pesarosos.
Essa história é real.
Ambas histórias aconteceram ao mesmo tempo, no mesmo vagão. Um casal sentou às costas do outro.
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Coloca um fone de ouvido e oferece o outro a ela, que aceita. Ela ri - provavelmente da música que ele escolheu. Começam a rir juntos, conversam sobre as músicas que ouvem. Fazem as pazes.
Essa história é real.
Música que desune
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Ele coloca os dois fones de ouvido e vira o rosto para a janela. Ela olha para ele e tenta imaginar o que estará ouvindo. Sente o isolamento como um soco no estômago. Os dois seguem a viagem magoados e pesarosos.
Essa história é real.
Ambas histórias aconteceram ao mesmo tempo, no mesmo vagão. Um casal sentou às costas do outro.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Olá Enfermeira, parte 2
Já há algum tempo que eu a cumprimento todos os dias. Um "bom dia" que nos habitamos a trocar por nos vermos muitas vezes durante a semana.
A primeira lembrança que eu tenho de termos nos falado com os olhos foi quando eu abri espaço para que ela passasse antes de mim - um ato de cavalheirismo, mas que sempre foi muito natural para mim, pela criação que tive. E foi quando ela abriu um sorriso capaz de fazer um dia inteiro feliz, mesmo com uma dose de bem poucos segundos.
Daí em diante, passou a ser comum nós trocarmos gentilezas - eu deixando-a passar antes, e ela me dando aquele sorriso lindo. Foi depois de algum tempo que começamos a trocar "bom dia" - o que eu diria que é uma "evolução natural".
Já neste estágio de desenvolvimento, entrei no ônibus e lá estava ela: roupa predominantemente branca com detalhes em azul, que identifica o hospital onde ela trabalha.
O lugar ao lado dela estava vazio. Não titubeei em sentar ao seu lado. E conversamos. Pela primeira vez, tivemos uma conversa além dos "bom dias" e dos sorrisos. E ela, claro, mostrou que é encantadora não só na beleza e no sorriso, mas em tudo. Fiquei com vontade de dizer a ela que aquele sorriso simples e tão bonito que me dava me fazia um bem incrível.
Nosso assunto foi vestibular. Ela me contou que era formada em enfermagem, que já tinha uma especialização e pensava em fazer uma pós-graduação. E contou ainda que fez vestibular em 2001 - o mesmo ano que eu, o que me leva a crer que temos a mesma idade.
Nos despedimos com um beijo no rosto, com aquela pele branquinha e macia encostando pela primeira vez no meu rosto. Agora, é esperar pela próxima vez que nos encontrarmos...
A primeira lembrança que eu tenho de termos nos falado com os olhos foi quando eu abri espaço para que ela passasse antes de mim - um ato de cavalheirismo, mas que sempre foi muito natural para mim, pela criação que tive. E foi quando ela abriu um sorriso capaz de fazer um dia inteiro feliz, mesmo com uma dose de bem poucos segundos.
Daí em diante, passou a ser comum nós trocarmos gentilezas - eu deixando-a passar antes, e ela me dando aquele sorriso lindo. Foi depois de algum tempo que começamos a trocar "bom dia" - o que eu diria que é uma "evolução natural".
Já neste estágio de desenvolvimento, entrei no ônibus e lá estava ela: roupa predominantemente branca com detalhes em azul, que identifica o hospital onde ela trabalha.
O lugar ao lado dela estava vazio. Não titubeei em sentar ao seu lado. E conversamos. Pela primeira vez, tivemos uma conversa além dos "bom dias" e dos sorrisos. E ela, claro, mostrou que é encantadora não só na beleza e no sorriso, mas em tudo. Fiquei com vontade de dizer a ela que aquele sorriso simples e tão bonito que me dava me fazia um bem incrível.
Nosso assunto foi vestibular. Ela me contou que era formada em enfermagem, que já tinha uma especialização e pensava em fazer uma pós-graduação. E contou ainda que fez vestibular em 2001 - o mesmo ano que eu, o que me leva a crer que temos a mesma idade.
Nos despedimos com um beijo no rosto, com aquela pele branquinha e macia encostando pela primeira vez no meu rosto. Agora, é esperar pela próxima vez que nos encontrarmos...
terça-feira, 11 de setembro de 2007
O santo remédio
Fui necauteado hoje. O ar seco que colocou a cidade de São Paulo em estado de emergência tentou e tentou até conseguir me derrubar. Somando a minha rinite, o saldo é bem desagradável. Nariz entupido a noite inteira e péssimas condições para trabalhar no dia seguinte.
Resultado: passo o dia em casa, causando prejuízos ao meu empregador e à economia brasileira. Minha avó, hospedada em casa, ativa todo o seu repertório para tratar resfriado, gripes e afins. Haja gemada, remédios e anti-congestionante.
Eis que, ao fim do dia, surge ela. Carinhosa, receptiva, cuidadora, dengosa. Descobri o que é ser mimado.
De todos os remédios e tratamentos, nenhum me revigorou mais do que ela.
Resultado: passo o dia em casa, causando prejuízos ao meu empregador e à economia brasileira. Minha avó, hospedada em casa, ativa todo o seu repertório para tratar resfriado, gripes e afins. Haja gemada, remédios e anti-congestionante.
Eis que, ao fim do dia, surge ela. Carinhosa, receptiva, cuidadora, dengosa. Descobri o que é ser mimado.
De todos os remédios e tratamentos, nenhum me revigorou mais do que ela.
sábado, 8 de setembro de 2007
Paranóia
A questão é: mulher atrapalha. Não sempre, não em tudo, claro. Mas atrapalha. Nesse momento que eu preciso de tempo - em falta - e concentração, tudo que eu não preciso é de alguém que me cobre mais atenção, mais dedicação, mais TEMPO, enfim.
A culpa é minha também, é claro. Deixo acontecer, sou negligente com algumas das consequências (OBS: diz que agora não tem trema mais, então não uso... Mas é estranho!). Deixo que tudo flua demais por si só, acredito que as coisas devem acontecer naturalmente quando se trata de relacionamentos, porque de planejamento já basta o trabalho, os estudos, a vida como um todo.
Mas eu insisto. Insisto em algo que eu sei que não vai dar certo. Insisto em querer dar chance ao que só vai me dar uma coisa: menos tempo. Há de se considerar que eu tornei-me um studentholic, como citou uma reportagem da Folha. Isto pesa, porque tudo me faz crer que eu estou perdendo tempo - a não ser quando eu estou efetivamente estudando.
Ok, ok, talvez eu esteja um tanto paranóico. I think I'm paranoid, diria o Garbage.
A culpa é minha também, é claro. Deixo acontecer, sou negligente com algumas das consequências (OBS: diz que agora não tem trema mais, então não uso... Mas é estranho!). Deixo que tudo flua demais por si só, acredito que as coisas devem acontecer naturalmente quando se trata de relacionamentos, porque de planejamento já basta o trabalho, os estudos, a vida como um todo.
Mas eu insisto. Insisto em algo que eu sei que não vai dar certo. Insisto em querer dar chance ao que só vai me dar uma coisa: menos tempo. Há de se considerar que eu tornei-me um studentholic, como citou uma reportagem da Folha. Isto pesa, porque tudo me faz crer que eu estou perdendo tempo - a não ser quando eu estou efetivamente estudando.
Ok, ok, talvez eu esteja um tanto paranóico. I think I'm paranoid, diria o Garbage.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
De volta para o futuro
Durante a adolescência, sempre vivi a situação de querer uma dezena de meninas que não me davam pelota nenhuma. Gostava, ia atrás, com aquele romantismo inocente de quem só queria expressar o que sentia.
E aí a vida veio, atropelou e mostrou: o caminho não é esse. Sem me preocupar com aquilo que aos 15 era uma crise existencial, minha vida seguiu. A trilha sonora passou de Laura Pausini a Garbage. O menino tímido, romântico e patinho feio sumiu em algum lugar de mim mesmo. Deu lugar a alguém auto confiante, bem resolvido e, vejam só, até atraente.
Aquele que se apaixonava sem ter trocado uma palavra deu lugar a alguém que não se envolve muito fácil. Avesso a relacionamentos. Feliz com a liberdade de decidir tudo sozinho. Satisfeito com a condição de solteiro.
Talvez justamente por tudo isso, hoje vivo a situação inversa do que vivi na adolescência. Já ouvi que querem de mim mais do que um amigo tanto quanto eu disse às meninas da minha adolescência.
Engraçado perceber isso, olhando para um passado que nem me parecia tão distante.
E aí a vida veio, atropelou e mostrou: o caminho não é esse. Sem me preocupar com aquilo que aos 15 era uma crise existencial, minha vida seguiu. A trilha sonora passou de Laura Pausini a Garbage. O menino tímido, romântico e patinho feio sumiu em algum lugar de mim mesmo. Deu lugar a alguém auto confiante, bem resolvido e, vejam só, até atraente.
Aquele que se apaixonava sem ter trocado uma palavra deu lugar a alguém que não se envolve muito fácil. Avesso a relacionamentos. Feliz com a liberdade de decidir tudo sozinho. Satisfeito com a condição de solteiro.
Talvez justamente por tudo isso, hoje vivo a situação inversa do que vivi na adolescência. Já ouvi que querem de mim mais do que um amigo tanto quanto eu disse às meninas da minha adolescência.
Engraçado perceber isso, olhando para um passado que nem me parecia tão distante.
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