quarta-feira, 9 de maio de 2007

Roteiro de uma história sem palavras

A música toca ao fundo.

O cheiro do churrasco predomina e a preferência é da picanha mal-passada.

Ele chega cabisbaixo. Sabe que ela vem.

Ela chega preocupada. Sabe que ele veio.

Não se falam desde a semana passada.

Ele pega mais uma cerveja.

Ela tenta saborear a farofa (não consegue).

Ele usa óculos escuros.

Ela rói as unhas.

Ele finge que riu da piada.

Ela finge que conversa.

Todos param para tirar algumas fotos.

Ela quer ir embora.

Ele precisa ir embora.

Ela exagera na demonstração de amor.

Ele finge que não a ama mais.

E vão embora.

O churrasco continua.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Coração de lata

"Por que ele é tão frio?"
Alguém perguntou sobre ele, mas não para ele. A primeira vez que ouviu que essa pergunta foi feita foi surpreendeu-o. Era estranho alguém que, tempos antes, considerava-se romântico. Digo tempos antes porque ele sequer pensava nisso nos últimos tempos. Passou a buscar uma resposta para aquilo.

Quando pensava em amor, lembrava-se de duas mulheres. Claro, houve paixões na adolescência pelas quais chorou, sentiu, sorriu. Mas não considerou nenhuma delas importante. Aliás, mal conseguia lembrar-se delas.

E por que duas mulheres representavam, na sua vida, o amor? Era difícil responder. Talvez, pelo que ele mesmo falou a uma delas, pela maturidade do sentimento. Lembrava das duas com detalhes. Os dias que passaram juntos, os momentos que dividiram.

Lembrou-se que as duas aconteceram em seguida. E lembrou que com a primeira, faltou maturidade para lidar com algumas situações. Com a segunda, sobrou maturidade, talvez tenha faltado ousadia. Ainda que tivesse sido bastante ousado, era preciso ter ido além.

Alguém com essa história é frio?

Talvez porque desde então não soube mais o que é se apaixonar. Talvez porque não quisesse. Talvez porque não pudesse. Talvez até por medo.

Não entendia mesmo com todas as hipóteses. Como poderia ser frio? Então, lembrou-se novamente das duas mulheres.

Uma resolveu acabar com o que mal tinha começado por estar apaixonado por um gay. A outra acabou com algo que realmente não tinha nem começado por que era noiva e casaria - como de fato casou - meses depois.

Seu coração foi blindado e protegido com sistemas de alarmes e vigilância dia e noite. O revestimento da blindagem era de metal. Daí vem o que Jennifer Paige, em sua música Crush, chamou de "tin heart": coração de lata.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O Teatro Mágico

Bom,

Quem nunca foi no show do Teatro Mágico precisa ir. Não conhecia nenhuma música. Um amigo me pegou em casa e me levou no show. Falou que eu ia me encantar. Não deu outra. Passei umas duas semanas só ouvindo as músicas. É viciante. Passei as músicas para várias pessoas. Claro, para as meninas! O efeito é interessante. Não vou dizer mas você já imaginam. Abaixo uma música!


Ana e o Mar

(Fernando Anitelli)

Veio de manha molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar... e se entregou ao vento
O sol veio avisar... que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar... Ana, o céu e o mar

Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada num farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol

Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as ondas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar

Ana e o mar... mar e Ana
Historias que nos contam na cama
Antes da gente dormir

Ana e o mar... mar e ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada
se estende pro resto do mundo
abençoando ondas cada vez mais altas
barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
desse novo amor... Ana e o mar

http://www.oteatromagico.mus.br

Entre e baixem as MP3s!

Elas não resistem!

bjs

Fer

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Algo estranho

Tudo começa com flerte e um sorriso bem colocado. Não demora muito para o contato por telefone. Percebe-se a surpresa do outro lado da linha. Significa que você surpreendeu o seu alvo positivamente. Daí temos o primeiro cinema, o primeiro jantar, a primeira carona para casa e o primeiro beijo. De muitos...

Momentos avassaladores, telefonemas apaixonados e mensagens provocantes. Todo o script seguido de forma rigorosamente espontânea. Gravam-se CDs - aonde foram as fitas? - escolhem-se filmes para uma possível coleção conjunta, fazem coisas impublicáveis.

Duas semanas depois, fala-se ao telefone por menos tempo, não se responde a todas as mensagens, não há tanta conversa e o lado carnal é menos empolgante. Mais um ciclo se encerra para começar outro.

Entretanto, já se fazem três semanas e tudo continua a pleno vapor em direção a uma esperança crescente. O ciclo está apenas começando...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

“Não cometa os mesmos erros. Cometa erros novos”

“Não cometa os mesmos erros. Cometa erros novos”

Relacionamentos são quase sempre diferentes. Você acaba conhecendo meninas diferentes. Com outro histórico, etc! Mas às vezes você pode dar o azar de conhecer alguém cuja história você já viu em outro filme. E quando o filme anterior terminou triste sua primeira atitude é afastar. Bom, quis fazer diferente. Já tinha visto o filme mas quis dar um segundo final para ele. Porém, aprendi com os erros anteriores. Prometi cometer somente erros novos. Isto eu consegui. Fiquei feliz por me controlar e ser diferente. Enfim, o filme acabou. A triste história do outro não se repetiu. O final não foi feliz. Mas não foi trágico. Foi um final comum. Como todos os outros.

Mas este filme eu não quero mais ver. Em busca de novas linguagens.

Fernando

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Pénabundeando

Preciso confessar uma coisa: sou virgem em pés-na-bunda, ou melhor, era. Já levei incontáveis, mais do que gostaria de admitir. Entretanto, pela primeira vez fui - metaforicamente falando - o agente ativo da oração.

Existe algo muito difícil na vida social moderna: conhecer e arranjar um pretendente. As relações tendem a serem fúteis e efêmeras, com poucos significados e deixando poucas saudades. Não é nem bom nem ruim, apenas é. Difícil, mas não impossível. Algumas dessas relações sobrevivem e se prendem por mais tempo que o planejado - como se tudo fosse combinado.

Entretanto, ainda mais difícil do que achar certas pessoas é se livrar de algumas delas. Principalmente se a pessoa dona das nádegas-alvo não fez nada de errado. O primeiro desafio é descobrir se você realmente quer acabar com tudo e chutar o balde, isso é, a bunda. Isso é particularmente complicado, pois a relação não precisa estar totalmente ruim. Ainda podem existir muitas coisas boas que, supostamente, seriam motivos suficientes para manter intacta a área onde acaba as costas . Nesses momentos, é comum fraquejar. Mas não se pensa em terminar tudo levianamente. Dignidade em primeiro lugar. Ou não.

Firme e decidido, o próximo passo é a abordagem. Sincero ou conveniente? Simples ou complicado? O mundo definitivamente seria um lugar mais fácil se fosse como um band-aid. Mas ser direto é complicado, principalmente se sua bunda já foi alvo diversas vezes e sabe-se que aquilo não é confortável, por mais popozudo que se seja. Tenho coração mole - ou bunda-mole - e frequentemente me coloco no lugar da vítima. Síndrome de Pequenópolis.

A etapa seguinte é "pós-pénabundada". Envolve direta e proporcionalmente o grau de afeto que a vítima tinha pelo algoz de seus quadris. Ouve-se constantemente frases do tipo "o que eu fiz de errado?" ou "não vou fazer isso de novo" e "vamos tentar outra vez, juro que será melhor". Há um risco considerável de voltar ao primeiro desafio ali no terceiro parágrafo desse texto que te enche a paciência.

É um certo alívio, pero no mucho. Não consigo ficar plenamente satisfeito sabendo que há agora um coração partido por minha causa - na pior das hipóteses, um profundo desejo de vingança eterna. Mas está feito. Se há uma lição de moral nisso tudo é que não há volta. Só resta vagabundear por aí à procura de mais uma relação fútil e efêmera.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O difícil é o fim

Muita gente reclama que não acha alguém, ou porque ninguém presta (reclamação típica de encalhadas), ou porque não tá afim de ficar com ninguém (possível, nem sempre provável) ou ainda porque "ninguém quer nada sério" (típica de retrógrados e religiosos em geral).

Bem, noves fora a dificuldade de arranjar alguém, e par adispensar? Ora, porque se há problema para conseguir alguém, há também quando tudo parece dar certo, seu corpo fica coberto de mel e chegam propostas e mais propostas para se aproveitarem dele. Por prudência ou critério ou falta de tempo é preciso dispensar alguém! Como fazer isso?!

Oras, como VOCÊ gostaria de ser, hã, digamos... DISPENSADO? Bom, a palavra é essa mesmo. Afinal, não adianta fingir que não, porque é isso mesmo: você quer mesmo é dar um belo pé na bunda da pessoa - de preferência sem magoá-la e, quiçá, não fechar completamente uma possibilidade futura. Acertei?

Bom, sinto dizer: não há fórmula mágica. O negócio é, como sempre, sinceridade, na maior dose que você aguentar. Sim, porque nem todo mundo aguenta não é? Prefere dizer que está ocupado, ou que não pode sair, ou que a mão está doente, ou que o chefe não deixou sair do trabalho... Enfim, as desculpas são muitas. Mas já pensou em ouvir: "não estou afim de sair com você". É duro não é? Mas talvez seja melhor do que um "hoje não dá". Porque este segundo sim tem requinte de crueldade. Ele é composto de esperança, algo tão mortal quanto veneno e tão benéfico quanto a cura da Aids (se ela hipoteticamente existisse).

A decisão é sua: pense como gostaria de ser tratado, como gostaria que aquela gostosona te dissesse que você não é o que ela quer, ou como aquele bonitão que você acha dar em cima de você dissesse que, na verdade, ele tem namorada e não está nem aí para a sua pessoa. Pense assim leitor, porque uma hora ou outra, você será o chutado.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Santo Google

Google Search [define:amor]

  • É AQUILO QUE COMEÇA COM UM PRÍNCIPE A BEIJAR UM ANJO E ACABA COM UM CARECA A OLHAR PARA UMA MULHER GORDA.
    www.felipex.com.br/div_louco_dic.htm


  • Palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas.
    minerva.ufpel.edu.br/~ssgremio/definic.htm
  • quarta-feira, 8 de novembro de 2006

    Google: conselheiro conjugal

    Google search [define:empty]

    The triangular theory of love characterizes love in a interpersonal relationship on three different scales: intimacy, passion and commitment. It was developed by Robert Sternberg. Different stages and types of love can be explained as different combinations of the three elements, intimacy, passion and commitment. Sternberg states that a relationship based on a single element is less likely to survive than one based on two or more.
    en.wikipedia.org/wiki/Empty_love

    segunda-feira, 30 de outubro de 2006

    O ator principal do meu filme

    Minha mente está concentrada maquinando a programação da mostra de cinema. São tantos filmes e tão pouco tempo disponível. Não sou o único. Olho ao redor e vejo várias pessoas rabiscando seus guias de filmes pensando na melhor maneira de aproveitar essa maratona que está acontecendo. Há grupos e grupos de pessoas - intelectuais, hype, punks, universitários, publicitários - e suas versões pseudos. Tudo bem, isso faz parte.

    Eis que senta uma garota na mesa da frente. Tomava suco de canudinho fazendo um biquinho com a boca que dava asas à imaginação. Camisa branca, calça jeans e tênis AllStar - daqueles fáceis de calçar - e rabiscava o seu guia como muitos por ali. Tentei voltar à minha própria programação, no entanto me conheço bem o suficiente para saber que metade do meu planejamento não será seguido e que não estava concentrando o suficiente por causa daquele anjo na minha frente que tomava o seu suco com canudinho.

    Tinha ingresso para três sessões seguidas na mesma sala sem nenhum critério aparente: um filme romeno, outro americano e um documentário canadense. Estava aguardando o primeiro filme que só começaria depois de algumas horas. As pessoas formavam filas, se movimentavam entre as salas. A garota do canudinho contiuava sentada ali. E os olhares se tocavam a cada minuto, despertando sensações diferentes tendo em comum apenas a dúvida. Dúvida sobre quem poderia ser, quais filmes ela veria, estaria esperando alguém e, principalmente, como iniciaria uma conversa com quem nunca conversei antes.

    A idéia de passar três sessões seguidas sem conversar com ninguém foi o grande catalisador do meu súbito senso de atitude. Em um momento de dúvidas sobre o que fazer, adota-se a tática do heroísmo que é se colocar em uma situação onde não há como fugir. No caso, um simples "oi". Ela responde de acordo. Legal, não me ignorou. Já é melhor que muitas por aí. Diz que não está esperando ninguém e consigo autorização para sentar ao seu lado. Há, no tom de voz de nós dois, uma leve sensação de alívio daqueles que acontecem quando achamos a saída do shopping ou quando alguém te liga quando deveria ter ligado meia hora antes.

    Obviamente, conversamos sobre filmes. Não tão óbvio, descobrimos que assistiremos aos mesmos filmes. Nesse ponto, não há espaço para tanta timidez e a conversa se desenvolve no melhor estilo mineiro de ser. Sem interrupções, sem assuntos chatos e muitos pontos em comum - além dos próprios filmes. As filas se passam de maneira imperceptíveis e apenas percebo que estou sentado na sala do cinema quando se apagam as luzes.

    Cinema é uma atividade solitária. Isso pode surpreender alguns casais de plantão que batem ponto nas salas espalhadas por aí. Em um sentindo amplo, cinema significa pipoca, guloseimas, filas, conversas e namoros. No entanto, no momento em que as luzes se apagam e as imagens são projetadas, não há mais nada ali além do filme e você. Se houver, é porque não está prestando atenção. Nada contra, realmente existem coisas melhores.

    Ao final do primeiro filme, mais uma doce descoberta: ela também fica na sala até o final dos créditos. Sempre achei que fosse o único. Decidimos permanecer sentados entre as sessões e rapidamente, estamos pronto para o próximo filme. Dessa vez, um pouco menos solitário e a fantástica ilusão do cinema começa a ruir - no bom sentido. No último intervalo da noite, a conversa orbita assuntos pessoais e mais íntimos. Toda a maratona de filmes se torna secundário.

    A narrativa, assim como esse post, atingia o climax e precisava de um final. O cinema já cerrava as portas e apagava as luzes enquanto ainda conversávamos na calçada fria no meio da neblina da madrugada. Senti que era a hora de outro súbito de atitude. Ela escapou da minha tentativa com um movimento brilhante de rosto e deixou um ar enigmático em seu olhar. "Quem sabe na próxima sessão?". Trocamos telefone e ela ali me deixou em um misto de alegria e frustração. Assim como a arte imita a vida, esses pequenos momentos mostram que a vida segue os princípios básicos da arte de contar histórias. E um bom entendedor de cinema bem sabe que nem sempre o protagonista atinge seu objetivo.

    A mostra segue e ainda não tive a "próxima sessão".

    quinta-feira, 26 de outubro de 2006

    Um outro Pagliacci

    Era o melhor palhaço da atualidade. Uma mistura impecável de aperfeiçoamento, treinamento, talento divino e grande amor pela arte. Para Tuta, não havia nada mais digno do que a missão de elevar as almas das pessoas a níveis sublimes de felicidade, diversão despertando aquilo que todos têm de melhor.

    O segredo de Tuta era tão simples quanto indecifrável. Ele não tratava os outros como criança e muito menos insistia em uma alma meramente infantil. O grande palhaço encarava as pessoas com um olhar humano e os abraçava com calor humano. E além disso, era muito engraçado. Seu senso de humor tocava as pessoas no nível mais pungente e seu timing era perfeito. Dominava todas as técnicas e estilos. Pastelão, humorista, piadista, imitação, sonoridades, peças e enganações.

    Nas suas piadas - ou seriam obras? - mais polêmicas, simulou sua própria morte. Recebeu elogios e ovações que o consagraram como um grande artista do século. Muitos não gostaram, é fato, menos pela anedota de mau-gosto e mais por não ter entendido a piada.

    Um dia qualquer - daqueles nem muito belo, mas nem muito feio - sem que nada memorável tivesse acontecido, Tuta ficou triste. Um grande vazio ocupou sua alma que ele esperava que fosse algo temporário, indigno de muita atenção. Entretanto, essa sensação permaneceu e aumentou discretamente a ponto de Tuta se indagar se o vazio não estaria ali o tempo todo e só agora vinha à sua percepção.

    Ao confidenciar esse desconforto com um amigo de infância, Tuta se surpreendeu com a súbita gargalhada de seu companheiro. Irritado pela falta de consideração por estar se abrindo e demonstrar sua vulnerabilidade, o grande palhaço ignora seu amigo à procura de sua companheira de vida em quem, com certeza, poderia confiar tanta tristeza. A reação de sua amada, no entanto, foi ainda mais esmagadora: não apenas riu como se regressasse aos bons e saudáveis tempos juvenis, como também ligou para toda família para contar a mais nova sacada no melhor palhaço do século.


    A situação apenas fez piorar o seu já incômodo vazio e estava o preenchendo com ódio e frustração devido à falta de capacidade de dar vazão à sua tristeza e da futilidade de encontrar alguém que compreendesse o quanto sofria. No auge da sua indignação, rompeu com sua mulher, toda a família e seus amigos e decidiu viver sozinho.
    A notícia se espalhou rapidamente pelos meios de comunicação e pela boca do povo. Em poucos dias, Tuta aceitou um convite de uma grande emissora de TV para dar entrevistas em um auditório onde, julgou, seria adequado para anunciar o fim de sua brilhante carreira devido à desilusão recente. Dispensou os tradicionais trajes coloridos e as maquiagens e decidiu enfrentar a questão como homem, diante da sociedade.

    Em meio de seu discurso rouco e ranzinza, Tuta é interrompido por um telespectador ao telefone que lhe perguntava até onde iria a nova piada, pois não se aguentava de tanto rir. O palhaço, então, percebe que todo o auditório está deslubrado com uma nova grande anedota e centenas de telefonemas e mensagens não cessava de chegar à redação. Enfurecido, Tuta se utilizou de todos os vocábulos de baixo calão que conhecia, embriagado de ódio pela humanidade que apenas servia para atingir em cheio o gosto de seu público.

    Saiu do programa antes de seu fim, refugiou-se em uma fazenda em uma fútil tentativa de escapar da mídia e curiosos. Valendo-se de remédios para se controlar, Tuta entra em profunda depressão por não conseguir expressar a sua tristeza e desabafar todo o sentimento negro que o apossara. O ódio crescia na mesma proporçao de sua frustração. Convenceu-se de que não havia saída nesse beco sem saída. Amarrou uma corda em uma pilastra no teto, preparou um forte e simples nó e, com a ajuda de um banco, colocou seu pescoço na corda na última esperança de encerrar todo o sofrimento.

    Seu corpo só foi encontrado dias depois, quando os repórteres perceberam a pouca movimentação dentro da fazenda. Muitas especulações rondearam o caso, vasculharam sua vida recente em busca de pistas e histórias. No entanto, era unânime entre a sociedade a opinião de que Tuta tinha realizado a sua obra-prima do humor.

    quinta-feira, 12 de outubro de 2006

    Preciso andar

    Deixe-me ir, preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Deixe-me ir
    Preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Quero assistir ao sol nascer
    Ver as águas dos rios correr
    Ouvir os pássaros cantar
    Eu quero nascer, quero viver

    Deixe-me ir
    Preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Se alguém por mim perguntar
    Diga que eu só vou voltar
    Quando eu me encontrar

    Quero assistir ao sol nascer
    Ver as águas dos rios correr
    Ouvir os pássaros cantar
    Quero nascer
    Quero viver

    Deixe-me ir
    Preciso andar
    Vou por aí a procurar
    Rir pra não chorar

    Se alguém por mim perguntar
    Diga que eu só vou voltar
    Quando eu me encontrar
    Quando eu me encontrar
    Quando eu me encontrar
    Depois que eu me encontrar
    Quando eu me encontrar
    Depois
    Depois
    Que eu me encontrar
    Quando eu me encontrar
    Depois, depois, depois
    Que eu me encontrar

    (Marisa Monte - "Preciso me encontrar")

    terça-feira, 10 de outubro de 2006

    O conto do homem sem coração

    Ele amou
    Tão intensa e completamente
    que seu coração a ela pertencia
    Ela,contudo, não o guardou
    Abandonou aquele coração
    que só para ela vivia

    Ele passou a amar as mulheres com seu corpo.

    Seu coração?

    Até hoje não o encontrou...

    segunda-feira, 25 de setembro de 2006

    Sonhos

    Até onde podem nos levar?

    Jogador de futebol. Todo menino que praticou o esporte quando criança sonhou em ser um. A força com que se persegue o sonho é tão grande quanto a satisfação que ele pode dar. Ao mesmo tempo, a busca é tão grande quanto a decepção que pode proporcionar.

    Ela tem sonhos. Quer ser médica. Obstetra. Sonha, mas não tem forças para buscar. A vida lhe deu outra profissão. Não lhe a ela a chance de ser médica. Deu a ela análise de sistemas, informática e projetos. Deu a ela um sorriso aberto, lindo, avassalador, conquistador. Não lhe deu dinheiro, nem sucesso. Deu carisma, alegria nos olhos, doçura. Fez com que ela corresse atrás da vida. Deu a ela o sonho de ser mãe. Deu também dificuldades para ela superar.

    E ela sonhava. Sonhava casar, de véu e grinalda, em uma igreja grande, bonita, bem decorada. Sonhou com lua-de-mel, em ter muitos filhos. E ela chega cada vez mais perto do sonho. Não da medicina, mas do casamento.

    O sonho é casar. Casar com quem? Não pensava nisso claramente. Ela olha no seu coração. Olha, sente, mas não sabe bem. Ela acha que o ama. “Casarás pelo sonho”, digo a ela. “Afinal, sonhas em casar ou sonhas em casar com ele?” Ela não sabe. Não quer responder. Ficou abalada.

    Ela sonhou. Com outro. Sonhou, sentiu, mas viveu pouco. Ela assustou-se. Sonhava em casar, amava o homem que escolheu. Por que sentir algo tão intenso por outro? Ela tem certeza: quer casar com quem escolheu. Quer ter filhos, ser mãe. A certeza a tranqüilizou. Tanto quanto a incerteza a fez chorar, pois percebeu que não havia certeza. Ela não quer descobrir o que sente. Ela vai casar, não tem dúvidas.

    Ela tem medo de não amar. Tem medo de sentir por mim algo maior do que ela pensava. Ela tem medo da intensidade. Medo de querer demais. Medo de amar. Tem o sonho de casar e está perto de realizar. Vai entrar de véu e grinalda na igreja caprichosamente decorada. Vai para lua-de-mel. Vai ser mãe. Continuará sonhando: em ser médica e em esquecer a incerteza.

    Eu sonho. Sonho por uma profissão descoberta só depois de já ter escolhido outra. Sonhei mudar de emprego e trabalhar com o que gosto. Sonhei ver alguém descobrindo o meu talento.

    Sonho com ela. Que ela descubra que a intensidade por mim é incontrolável. Sonho que nossos sonhos se encontrem no campo afetivo. Sonho em ir ao supermercado, fazer as compras do mês. Ver nosso menino puxando a saia dela, pedindo pra levar mais biscoitos. Sonhei em ver nossa filha nascer com o sorriso dela, com os mesmos olhos. Eu a vi me encantar tal qual a mãe. Sonhei em ouvi-la dizer “Eu te amo”. Sonhei em escrever. E escrevi sobre ela.

    quinta-feira, 14 de setembro de 2006

    Durante um ano muitas coisas podem acontecer.
    Desejos e sonhos podem mudar.
    Crenças podem surgir.
    Um homem pode amadurecer.
    Preconceitos podem acabar.
    Uma vida pode surgir.
    Em um ano muita coisa pode mudar
    mas não o sentimento que ainda sinto por você.


    Sim, eu daria tudo mais um pouco de mim por você!

    _______

    Voltei..

    domingo, 10 de setembro de 2006

    Qual é a menor distância entre dois pontos?

    "Uma reta", responderá alguém desavisado. Meu caro, diria que nem sempre. Em "A Casa do Lago", a distância que separa dois pontos é física. O tempo é uma das grandezas físicas que mais interfere nos relacionamentos. Afinal, quem nunca ouviu a famosa frase "precisamos dar um tempo"?

    O que você faria se encontrasse a pessoa que te faz sentir o amor mais puro e intenso no tempo errado? Naquele momento que você quer investir na carreira, ou quando você não tem tempo, ou simplesmente quando você mesmo já está comprometido.

    Calma, calma, sempre pode ser pior: ela já é comprometida até o pescoço. Data marcada para o casamento. Mas se abala com você. Não a ponto de desistir de casar, mas se abala. Gosta de você, diz que você seria o homem perfeito, ideal - mas que está no momento errado da vida dela.

    O amor tem tempo para acontecer? Bom, para algumas pessoas sim. Eu, como sempre deixei que meu coração escolhesse por mim, involuntariamente, não tive o problema da escolha.

    Quando achei que poderia controlar meus sentimentos, entrei em um perigoso jogo de sedução. O jogo saiu de controle, chegou à vida real. Tomou posso do coração sem mais nem menos, sem pedir autorização - algo semelhante ao que faz o governo norte-amareciano quando acha que deve.

    O tempo passa, as instabilidades acontecem. Altos e baixos, momentos de paixão quente e maluca, e momentos racionais. "Não pode" ou "Não posso". Sempre a mesma coisa. E tem momentos de proximidade. "Você não existe..."

    "Por que não me caso com você?"


    Já imaginou ouvir isso da pessoa amada? Eu já. Pena que faltavam só dois meses para ela casar. Uma questão de tempo. No filme, dois anos separam os personagens, apaixonados um pelo outro. Quanto tempo me separa dela?

    terça-feira, 18 de julho de 2006

    Todos os corações do mundo.

    Depois de um mês de parada para a Copa do Mundo de futebol, a vida segue.

    Se em 1994, o mundial gerou um longa-metragem intitulado "Todos os corações do mundo", não é à toa: esse evento reúne todos os países participantes (e muitos outros mais) em uma só emoção, uma só febre.

    Um sentimento parecido com a paixão.

    Aliás, pode ser até chamado de paixão. Pelo futebol, claro.

    Veja só: às vezes o futebol é igual à vida.

    Nos apaixonamos por um time, sem qualquer razão aparente, mesmo que tudo esteja contra. Na minha vida, a relação com o amor é bem significativa. Sou são-paulino em uma família palmeiresente (por parte de mãe) e corinthiana (por parte de pai). Não tinha razão pra gostar do São Paulo. Mas foi paixão.

    Sofremos. Por derrotas, por falta de vontade, por ter um time que não condfiz à paixão que nutrimos por ele.

    Diferença com o amor?

    Nenhuma.

    quarta-feira, 7 de junho de 2006

    Pensamentos inconscientes de olhos fechados

    "Sonhos semeando o mundo real"
    Vilarejo, Marisa Monte

    Amor platônico: diferente daquilo que normalmente se ouve, amor platônico é diferente de amor impossível. O real singnificado é o que o próprio nome remete: a Platão. Amor Platônico é um amor idealizado, um amor no campo das idéias. Um amor que não existe no mundo real, apenas no campo das idéias de Platão. Daí a origem do nome.

    A vida é composta pelos sonhos. Quando nascemos, nossos pais sonham que sejamos médicos, engenheiros ou advogados (incrível como sempre fica entre os três). Alguns sonham que o filho seja jogador de futebol.

    Quando somos crianças, sonhamos com super heróis, mundos de magia e encantamentos, Disney. As crianças gostam de profissões nobres, como bombeiros, astronautas e até médicos em alguns casos (os pais transbordam de orgulho destes).

    Sonhamos com aquela menina mais linda, a primeira por quem não sentimos vontade de zuar, ou ganhar na gincana. Sentimos vontade de olhar para o sorriso dela. Aquela, que andava de maõs dadas com os pais dela na saída, e que sonhamos à noite. Aquelas que nos motivam a ir para a escola.

    Sonhamos com namoro. Aquela pessoa que nos faça sentir o gosto da paixão de criança, forte, intensa, gostosa, simples. Uma pessoa que não tenha os defeitos que estamos acostumados a ver. Que goste de nós tanto quanto nós gostamos dela, que seja fiel, tenha beleza, seja inteligente, interessante.

    Alguns sonham casar. Outros, ter filhos. Muitos sonham com os dois. De preferência, em união ao sonho anterior, do namoro.

    Sonhar é sim preciso. Amor é feito de sonho também. Se apaixonar, sonhar, imaginar e realizar. Só tomando cuidado para que não se torne um sentimento apenas existente no campo das idéias - e qu

    terça-feira, 30 de maio de 2006

    nutrição amorosa

    Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho
    Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz carinho
    "Satisfeito", Marisa Monte
    Se aproxima o dia dos namorados. Data comercial ou não, desperta reações diversas nas pessoas. Percebi hoje, ao conversar com um amigo, um importante dado sobre relacionamentos que, mais uma vez, a Biologia explica:
    • seres heterótrofos: Dependem de um dos elementos de um relacionamento para processar o que chamamos de satisfação. As reações que ocorrem para a produção desta sensação são muitas, mas com uma característica comum: são necessariamente dependentes de uma dessas reações. Alguns precisam se sentir amados; outros, apenas amar alguém. Alguns precisam se sentir completos com alguém, outros, é uma questão social - politicamente incorreto e não assumido, mas bastante presente na espécie humana.
    • seres autótrofos: são os citados por Marisa Monte (em música escrita em parceria da cantora com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes). Não dependem de ninguém: produzem, dentro de si, a substância satisfação. Utilizam elementos do relacionamento para produzir a satisfação, mas não depende dele. Não se incomoda, em nenhum aspecto, com o fato de estar sozinho. Auto-suficiente, em suma.