sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Cartas Reais
A idéia dessa carta surgiu depois da minha angústia por não ter te falado tudo que pensei. Não falei porque não achei que era necessário. Achei que meus olhares, minha voz, meus gestos e todas as vezes que eu peguei na sua mão tivessem sido suficientes. Fiquei agoniado quando vi que não foi e as palavras ficaram engasgadas na minha boca, explodindo no meu peito.
Sinto sua falta. Falta das nossas conversas, da proximidade, do calor das suas mãos. Sinto falta do seu sorriso...
Queria que aquela nossa dança não tivesse terminado. Queria estar com você, sentir seu perfume, tocar seu rosto, ouvir sua voz, te abraçar pela cintura e sentir meu coração pular para o seu peito. Depois daquela dança, você esteve tão distante... A nossa conversa sobre teatro me esquentou o coração, você provavelmente não sabe o quanto me fez bem. Te senti um pouco mais perto...
O clima de romance domina o nosso ambiente, você já reparou? Alguns casais se desenhavam há tempos. E um deles, adivinhe, somos nós. Os casais estão se consolidando cada vez mais, mas nós continuamos distantes.
Naquela noite, fiquei sem entender o que fez seus lábios ficarem tão distantes dos meus. Estivemos tão perto um do outro... Achei até que talvez fosse falha minha. Achei que devia ter falado todas as palavras que eu não disse, ao invés de tentar te conquistar com meus olhos, minhas mãos, minha proximidade.
Mas hoje você me mostrou a razão. E foi da pior forma possível. Quando você chegou na nossa roda de violões, músicas românticas e com casais se formando, você foi para os braços de outra pessoa. Me fez sentir o golpe frio da espada cortando meu peito quando o beijou.
Era ele. Foi por ele que você se esquivou de mim. Ele é primo de uma grande amiga sua. Mais do que tudo isso, o que me assusta é talvez você simplesmente não querer experimentar de toda paixão que guardo para você. Você só querer ele...
O Sonho de Valsa que eu levei só para você ficou guardado. Sou um romântico incurável e sei que pode parecer bobo. Queria poder olhar seu rosto e sentir seu sorriso esquentar meu peito... Queria dizer que você me faz bem, que seu jeito simples me encanta. Adoraria te dizer que você é linda, que você me faz sonhar.
Há uma semana, tinha certeza que teríamos o nosso primeiro beijo. Hoje, não sei nem se ele vai acontecer algum dia...
Com carinho,
....
domingo, 21 de setembro de 2008
O gelo que não quebrou
Antes, era apenas uma festa, onde certamente beberia com os amigos, dançaria, enfim, diversão. Até a despedida de quinta, quando ela, segurando minha mão, perguntou se eu ia. Respondi que sim e ela disse que também iria. Uma sensação gostosa de satisfação pela boa surpresa me dominou da cabeça aos pés. Seria muito melhor do que eu tinha pensado.Veio o dia seguinte, a correria, tarefas intermináveis até mais de dez da noite. Era hora de irmos. Amigos todos juntos, enchemos o carro e fomos ao encontro dos demais, na casa de um deles - onde ela ainda se arrumaria e ficaria ainda mais linda.
"Qual batom?", ela perguntou, olhando para mim através do espelho que estava na nossa frente enquanto lavava meu rosto. "Rosa", disse, olhando um dos dois que ela tinha na mãos. Estava encantado com a beleza e a presença dela.
Éramos só os dois ali, um ao lado do outro, eu encantado com os olhos, a pele, a boca, o cabelo, o sorriso, a voz... Talvez por isso eu não tivesse a velocidade de raciocínio para dar respostas menos óbvias. Sentia que tinha tudo para ser aquele o dia que ficaríamos juntos pela primeira vez.
Na festa, fomos pegar bebidas juntos. Peguei na mão dela e ela não fez nenhuma questão de soltar. Parecia bom sinal. Depois, nos separamos por alguns minutos, até nos reencontrarmos novamente. Mais algumas tentativas de aproximação, quase sem palavras... Não sabia o que dizer.
Mas não saiu. E se me perguntarem por que, eu direi: não sei. Eu queria, eu achei que ela queria, nós dançávamos juntos, nossas bocas estavam tão perto... O que faltou?
Ao nosso lado, uma situação quase idêntica: um amigo dançava com outra amiga, mas o beijo ali também não saía.
Eu não consegui dizer a ela o quanto a queria. Tentava olhar nos olhos dela, que nunca se encontravam com os meus... Estávamos abraçados, dançando juntos, mas o beijo não acontecia. Não sabia o que fazer.
A música mudou, nos separamos de novo. Algum tempo depois, duas mulheres estavam dançando perto de nós. Uma se aproximou dançando grudada em um dos nossos amigos - que parecia não querer ela por perto.
Ela pouco a pouco foi se deslocando para minha direção, junto com outra menina. Começaram a se aproximar tanto que não tive pra onde fugir. Se esfregavam em mim, enquanto eu procurava por quem eu queria, por quem
As duas se esfregavam Uma dela tentou me beijar. "Deixa eu te beijar", ela me disse, depois de algumas tentativas frustradas de aproximar a boca da minha. "É melhor não", eu respondi. Não queria mais ninguém. Só queria uma. Se não fosse ela, não queria mais ninguém aquela noite.
Na despedida, ela beijou meu rosto. Olhando para ela, com aqueles olhos me fitando, disse: "você está linda..."
A noite que tinha tudo para ser a primeira junto acabou só com mais expectativa. Como bem disse o grande amigo que passou pela mesma situação (lembra da cena da dança? Era ele), não adianta pensar no que poderia ter feito - embora seja inevitável pensar nela...
O que sobrou foi a lembrança dela, do sorriso, dos momentos de mãos dadas, da dança... E da expectativa pelo beijo, que continua intensa...
domingo, 24 de agosto de 2008
Disputa silenciosa
Entre idas e vindas, banho correndo, corrida contra o relógio - qualquer vacilo e eu perderia a chance de ir, porque o relógio já marcava mais de 11 horas da noite. No fim, com correria e tudo, cheguei ao local.
Noite de festa. As pessoas arrumadas, perfumadas, prontas para uma noite que prometia muita diversão. Luzes, bebida, luzes, mais bebida. E de repente, um beijo nos surpreende. Eu sabia quem era e senti uma ponta de inveja. Tinha pensado em ficar com ela, a idéia ainda estava na minha cabeça quando vi a cena. Mas a festa continua.
E com vários bons momentos. Músicas, risadas, amigos, performances - com músicas que nos faziam lembrar momentos da infância e adolescência. Um banho de diversão.
E no meio do pisca pisca de luzes, da música alta, da dança meio desengonçada, ela aparece do meu lado. Sorri para mim, enquanto dançamos. Talvez o sorriso fosse mais pelo momento do que para mim, especificamente, mas não importava.
A dança nos aproximou, nosso quadris encontraram-se, meus braços a envolveram, senti seu sorriso mais perto... Suave, porém rapidamente, ela fez um movimento que a fez sair de perto de mim e voltar aos braços de quem ela tinha beijado.
Não tinha percebido, mas ela não saíra de perto dele - esse momento perto de mim foi uma exceção, observada por ele, inclusive. Senti ali um olhar de disputa, onde ele saía vencedor - o que, para mim, sempre foi difícil de engolir, mesmo tendo acontecido muito mais vezes do que o sucesso.
A festa passou. O desejo parecia que tinha ficado por lá também. Passou por um momento incólume. Aos poucos, porém, ela foi emergindo. Passou por uma intensidade quase incontrolável, fruto das conversas que se seguiram, cada vez mais freqüentes - e cada vez melhores.
Vi, então, aquela figura que a tinha beijado. Primo de alguém de nossa sala, vinha sempre para vê-la. A princípio, me pareceu que era apenas uma coincidência, mas a freqüencia começou a mostrar que não. Nunca mais os vi juntos, nem beijos, nem mãos dadas, mas a presença dele ali, de vez em quando, queria dizer algo.
Os dias se seguem, até que vem outra festa, mas dessa vez só entre amigos próximos, colegas de sala. Bebidas, risadas, música, dança e alegria. A proximidade dos nossos corpos se repetiu. Pareceu quase certo.
Cheguei a ouvir o "vai fundo" assim que ela se ausentou por poucos minutos. Ela voltava, nos abraçávamos para fotos, nossas mão se uniam por alguns segundos. O magnetismo de nossos corpos nos faziam ficar perto a noite toda.
No fim, nada além dos olhares, dos rostos próximos, dos abraços pela cintura. Mas ainda teria tempo...
Com o tempo passando, poucas foram as chances que surgiram como aquela. Mas o dia-a-dia de convívio foi trazendo boas surpresas, proximidade, palavras, interação, mãos próximas, sorrisos...
Mas a disputa voltou à tona, quando nos encontramos virtualmente, sempre através dela. E quando voltei a vê-lo ir visitá-la.
Chegamos a conversar várias vezes sobre vários assuntos - ele é uma pessoa inteligente e eu não sabia o que esperar dali. Fato é que a disputa, ainda que silenciosa, continuava.
E a cada novo capítulo, o jogo parece mais confuso. Se ganho pontos de um lado, vejo ela perto dele por outro. E só ela sabe para que lado a balança pesa - até porque eu não sabia o que acontece do lado de lá. Talvez nem quisesse saber...
Ela sabia que essa disputa acontecia. Desde a noite da festa, ela já tinha percebido. E certamente sabe que existia alguma disputa...
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Conto: o dia em que a namorada sumiu
Os detalhes ainda estão frescos em sua memória. Discutiram superficialmente sobre o fato da Suzana, ao estar dirigindo, não pegou a saída da via expressa e que teriam de contornar por um longo e tortuoso caminho, de volta para casa. A discussão foi áspera, mas brevemente esquecida. Fizeram amor naquela noite e se despediram com sorrisos no rosto.
Na segunda-feira, não se falaram. Cleber esteve ocupado o dia inteiro e só voltou para casa à tempo de dormir. Antes de pregar os olhos, porém, escreveu uma mensagem para o celular da companheira de como a noite anterior tinha sido boa.
Não havia resposta dela no dia seguinte. E assim permaneceu. Cleber decidiu ligar para Suzana, mas pôde apenas ouvir o telefone chamando até a linha cair. Tentou repetidas vezes, mas prevalecia o monótono tom de lá intercalado de silêncio.
Dúvidas mortais afligem Cleber. Será que ela foi sequestrada? Fugiu? Seria ele tão assim insuportável a ponto de alguém simplesmente fugir? Estaria ele sufocando e a impedindo de viver plenamente, de acordo com sua alma e natureza?
Silêncio. Hoje, no dias dos namorados, muito estão felizes, alguns indiferentes e outros desesperados. Cleber está vazio. Sua mente revisita cada segundo de convivência com Suzana, em busca de pistas sobre o seu desaparecimento. Saindo do escritório, Cleber caminha para o carro e encontra as flores, o porta-retrato e o DVD que comprara. Dirige instintivamente e logo se percebe parado em frente ao prédio dela.
Toca o interfone e aguarda 15 minutos. Quando vira-se para ir ao carro, uma voz feminina, eletronicamente modificada o chama. Não é a voz de Suzana.
"Desculpe, mas eu te vi pela janela". Cleber levanta o rosto e vê uma silhueta em uma janela acesa. e logo depois completa: "Pode subir".
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Sedução, em duas visões
Não há jogo mais interessante que o da sedução. Essa relação que envolve mistério, sorrisos, pequenos gestos, roupas, olhos, boca, pele, palavras em uma combinação que não tem fórmula. É inevitável que cada um olhe de uma forma uma mesma situação, ainda mais quando é algo que envolve a sedução silenciosa.Sedução silenciosa é aquela que nenhum dos lados levanta a bandeira da conquista, mostrando claramente suas intenções. É um jogo de olhares, palavras que tangenciam a sedução pelo tom de voz e pelo jeito de falar mais do que pelo seu conteúdo e pequenos gestos. Não sa sabe bem o que se passa na cabeça do outro e o jogo é sempre recheado de mistério.
Festa é sempre bom. Bebida, amigos, risadas. E conversas aqui e ali, sorrisos aqui e ali, comentários com amigos. Sentei ao lado de uma bela menina, que sempre me chama muito a atenção e com quem sempre tenho ótimas conversas. Ela pareceu feliz. Sorria enquanto falávamos e acabamos ficando um bom tempo ao lado um do outro, enquanto conversávamos com outras pessoas, tirávamos fotos e jogávamos o sempre interessante "Eu nunca".
Até que eu ouvi um comentário dizendo "ah, vai pegar, hein!" (masculino, claro). Dei risada e levei na brincadeira, para esconder que fiquei encabulado.
Eis que me surpreende um comentário, alguns dias depois, me dizendo que eu "dei pra trás". Não entendi direito e me revelaram algo que me surpreendeu mais ainda: ela tinha dado em cima de mim e eu não fiquei com ela. Fiquei surpreso porque, na minha visão, tinha sido uma paquera discreta, sutil, quase imperceptível. E se alguém tinha dado em cima, eu achei que esse alguém seria eu.
Também não esqueço que minha irmã sempre diz que eu não consigo perceber quando uma mulher me paquera. Talvez tenha acontecido isso mesmo, mas eu não consigo enxergar isso nem quando eu resgato as imagens na memória. Mas quem vê de fora, sempre vê diferente. Mas confesso que foi divertido relembrar tudo que aconteceu com o olhar que me contaram.
terça-feira, 6 de maio de 2008
A elegância e sensualidade do frio
Ah, o frio! Começou a nos acompanhar em São Paulo desde quarta-feira, véspera de feriado. Particularmente, eu gosto desse clima mais frio. Gosto porque percebo que as mulheres, especialmente, passam a se vestir ainda melhor.Mais do que se vestir melhor, as mulheres conseguem ser mais sedutoras no frio do que no calor. Talvez porque o calor exija menos roupa e isso, por si só, exerça um poder de sedução.
No frio, as mulheres podem mostrar menos o corpo. Talvez, então, seja por isso que as mulheres ficam mais sedutoras. Capricham mais na maquiagem, nos acessórios, nas roupas. Vejo muito mais mulheres sedutoras no frio.
Não tenho a menor dúvida que isso tem muito a ver com a minha preferência pela combinação deliciosamente sedutora de botas e meia-calça. Às vezes até com saia, já que a meia proteje do frio. Uma combinação dessa é uma mistura intensa de beleza e sedução.
Que o frio dure muito para poder admirar o que as elegantes moças nos oferecem ao olhar...
quarta-feira, 9 de abril de 2008
As mulheres reclamam...
Fiquei bastante surpreso. Em menos de um mês, três amigas me confidenciaram que sofrem na busca de um parceiro decente. E, ao comentar essa história com outras pessoas, recebi outras informações similares das amigas das amigas. E são todas lindas, inteligentes e grandes companheiras.
Aparentemente, essa revelação súbita revela que há desilusões amorosas em ambos sexos. Pessoas que não correspondem às expectativas, que não têm os mesmos desejos ou que simplesmente vivem momentos distintos da vida.
Tá, mas qual é a grande surpresa? Na verdade, foi a revelação complementar de que, sim, sobram homens, mas faltam homens decentes. Epa! Como assim? Para um blog que fala sobre jogos de conquistas, paixões ou paixonites, trata-se de um sinal preocupante. O que nós, homens, estamos fazendo de errado? Ou as melhores mulheres do cenário se tornaram mais exigentes?
Essas pessoas que me confessaram suas aflições também me perguntaram onde poderiam conhecer gente interessante. Como se lá eu soubesse a resposta. Infelizmente, não obtive uma descrição fiel do que é um homem "decente" que eu pudesse compartilhar com os pobres mortais do sexo masculino. Mas a verdade é que se sentem carentes. E a culpa é nossa, acreditem ou não.
PS: Aos curiosos que querem saber quem são tais garotas, saibam que sou um péssimo cupido.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Olá Enfermeira, parte 3
Mas eu lembro bem do dia que eu a vi, mas ela estava sentada ao lado de um outro cara, conversando. Cumprimentei-a, sorrimos, mas fiquei separado dela. Sentei no banco bem à frente dela, o que me permitiu ouvir grande parte da conversa dos dois.
Conversa vai, conversa vem, ouvi o rapaz do lado dela comentar sobre a viagem que ela fez pela Europa nas férias, sobre as amigas, os amigos em comum - o que me leva a crer que se conhecem há tempos, talvez da escola - e sobre o... namorado.
Namorado?
Fiquei mais atento ainda. Ela não tocou mais no assunto.
Começamos a nos falar também pela internet, pelo msn e orkut. Passei a elogiá-la com mais freqüencia, já que tinha perdido parte da vergonha que segurava minhas palavras no começo. Ela, modesta, sempre dizia "só você mesmo..."
Foi lá no orkut também que confirmei: ela namorava mesmo. E pelo jeito, há bastante tempo. Tem até fotos dos dois.
É claro que foi uma decepção. Mas, por outro lado, sou bastante observador. Não nos falamos mais com tanta freqüência, mas pude perceber que ela mudou o "status" do relacionamento de "casada" para "namorando". Não significa muito, aparentemente. Mas juntando isso ao fato de ela, vez por outra, vir me deixar recado, me perguntando como estou e dizendo que sente minha falta nas manhãs que vai ao trabalho, temos um quadro possível de esperança...
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
O brilho da Lua
As minhas palavras despertaram a curiosidade dela também. Respondeu com palavras doces, que eu vi se repetirem algumas vezes. As conversas no msn intensificaram-se, a simpatia dela contagiava, sua inteligência e beleza formavam uma dupla incrivelmente sedutora.
O rosto delicado e o corpo magro eram de uma menina, quase adolescente. A inteligência e a sutil malícia eram de uma mulher de 25. A conversa frente a frente, com os rostos próximos e as bocas perigosamente próximas, criaram uma atmosfera de encanto. Encanto pela beleza, pelo sorriso, pela delicadeza, pela sedução.
O primeiro encontro foi das nossas mentes. Um mudeu, novo, belo, interessante. Um apreciador da história como eu se farta em um lugar como aquele. O seu sorriso era extremamente atraente, eu tinha vontade de pegá-la pela cintura e fazer dela minha. Mas esperei. Quis deixar que as coisas acontecessem a seu tempo. Minha atitude, em casos semelhantes, teria sido de partir para um ataque de uma vez, vencendo a timidez e solidificado na auto-confiança.
Com um cenário contraditoriamente belo e terrível, a estação Julio Prestes, nos conhecemos melhor, falamos de política, problemas sociais. Aqueles lábios eram um desejo meu, e sabia que ia realizá-lo.
Nos despedimos, esperei que ela fosse para ir embora também. Deixei, maliciosamente, tudo para o segundo encontro, que eu sabia que aconteceria. Aquele certo mistério, que sempre faz bem... Aquele jogo estava apenas começando.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Músicas silenciosas
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Coloca um fone de ouvido e oferece o outro a ela, que aceita. Ela ri - provavelmente da música que ele escolheu. Começam a rir juntos, conversam sobre as músicas que ouvem. Fazem as pazes.
Essa história é real.
Música que desune
O casal discute na fila do metrô antes de embarcar. A discussão encerra rapidamente e um passa a ignorar o outro. Os dois entram no vagão sob um pesado silêncio.
Ele abre a mochila e retira um tocador de música. Ele coloca os dois fones de ouvido e vira o rosto para a janela. Ela olha para ele e tenta imaginar o que estará ouvindo. Sente o isolamento como um soco no estômago. Os dois seguem a viagem magoados e pesarosos.
Essa história é real.
Ambas histórias aconteceram ao mesmo tempo, no mesmo vagão. Um casal sentou às costas do outro.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Olá Enfermeira, parte 2
A primeira lembrança que eu tenho de termos nos falado com os olhos foi quando eu abri espaço para que ela passasse antes de mim - um ato de cavalheirismo, mas que sempre foi muito natural para mim, pela criação que tive. E foi quando ela abriu um sorriso capaz de fazer um dia inteiro feliz, mesmo com uma dose de bem poucos segundos.
Daí em diante, passou a ser comum nós trocarmos gentilezas - eu deixando-a passar antes, e ela me dando aquele sorriso lindo. Foi depois de algum tempo que começamos a trocar "bom dia" - o que eu diria que é uma "evolução natural".
Já neste estágio de desenvolvimento, entrei no ônibus e lá estava ela: roupa predominantemente branca com detalhes em azul, que identifica o hospital onde ela trabalha.
O lugar ao lado dela estava vazio. Não titubeei em sentar ao seu lado. E conversamos. Pela primeira vez, tivemos uma conversa além dos "bom dias" e dos sorrisos. E ela, claro, mostrou que é encantadora não só na beleza e no sorriso, mas em tudo. Fiquei com vontade de dizer a ela que aquele sorriso simples e tão bonito que me dava me fazia um bem incrível.
Nosso assunto foi vestibular. Ela me contou que era formada em enfermagem, que já tinha uma especialização e pensava em fazer uma pós-graduação. E contou ainda que fez vestibular em 2001 - o mesmo ano que eu, o que me leva a crer que temos a mesma idade.
Nos despedimos com um beijo no rosto, com aquela pele branquinha e macia encostando pela primeira vez no meu rosto. Agora, é esperar pela próxima vez que nos encontrarmos...
terça-feira, 11 de setembro de 2007
O santo remédio
Resultado: passo o dia em casa, causando prejuízos ao meu empregador e à economia brasileira. Minha avó, hospedada em casa, ativa todo o seu repertório para tratar resfriado, gripes e afins. Haja gemada, remédios e anti-congestionante.
Eis que, ao fim do dia, surge ela. Carinhosa, receptiva, cuidadora, dengosa. Descobri o que é ser mimado.
De todos os remédios e tratamentos, nenhum me revigorou mais do que ela.
sábado, 8 de setembro de 2007
Paranóia
A culpa é minha também, é claro. Deixo acontecer, sou negligente com algumas das consequências (OBS: diz que agora não tem trema mais, então não uso... Mas é estranho!). Deixo que tudo flua demais por si só, acredito que as coisas devem acontecer naturalmente quando se trata de relacionamentos, porque de planejamento já basta o trabalho, os estudos, a vida como um todo.
Mas eu insisto. Insisto em algo que eu sei que não vai dar certo. Insisto em querer dar chance ao que só vai me dar uma coisa: menos tempo. Há de se considerar que eu tornei-me um studentholic, como citou uma reportagem da Folha. Isto pesa, porque tudo me faz crer que eu estou perdendo tempo - a não ser quando eu estou efetivamente estudando.
Ok, ok, talvez eu esteja um tanto paranóico. I think I'm paranoid, diria o Garbage.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
De volta para o futuro
E aí a vida veio, atropelou e mostrou: o caminho não é esse. Sem me preocupar com aquilo que aos 15 era uma crise existencial, minha vida seguiu. A trilha sonora passou de Laura Pausini a Garbage. O menino tímido, romântico e patinho feio sumiu em algum lugar de mim mesmo. Deu lugar a alguém auto confiante, bem resolvido e, vejam só, até atraente.
Aquele que se apaixonava sem ter trocado uma palavra deu lugar a alguém que não se envolve muito fácil. Avesso a relacionamentos. Feliz com a liberdade de decidir tudo sozinho. Satisfeito com a condição de solteiro.
Talvez justamente por tudo isso, hoje vivo a situação inversa do que vivi na adolescência. Já ouvi que querem de mim mais do que um amigo tanto quanto eu disse às meninas da minha adolescência.
Engraçado perceber isso, olhando para um passado que nem me parecia tão distante.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
O episódio da música
Amiga, saudades, rever. Tudo bem e você? Sim, vamos, vamos.
Fime bom. Tocha Humana é engraçado. Quem sou eu? Tocha Humana ou Sr. Fantástico? Talvez um pouco dos dois. Sem, é claro, uma Mulher Invisível como a Jessica Alba. Dá pra mandar pra casa, por favor?
O que ela faz aí? Ué, ela está aí há dois anos. Mas eu quero curtir o reencontro com a amiga sem ela na minha cabeça o tempo todo, dá pra ser? Hum, dá mas só por uns minutos.
Vamos andar? Ver lojas, claro. Vamos sim. Cansada? Quer ir ao banheiro? Pode ir, eu espero.
Bem que se quisMas tinha que tocar essa música? A minha música com ela? Ah, eu sei, eu gosto de lembrar dela. Ela é linda, adoraria estar andando aqui com ela, de mãos dadas, dizendo que ela ficaria linda naquele vestido ali ó. Dizendo que ela ficaria melhor ainda quando eu tirasse o vestido dela...
Depois de tudo ainda ser feliz
Mas já não há caminhos pra voltar
E o que é que a vida fez da nossa vida?
O que a gente não faz por amor
Oi, já voltou? Ah, nada não. Tava só pensando.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Ímpeto & volúpia
Ela se liberou. Soltou a leoa que guardava com esforço quase heróico. Onde se via meiguice e doçura, leia-se agora ímpeto e volúpia.
A sinuosidade do seu sorriso já sugeria sua volúpia. Ela é feroz, intensa, incontrolável. Sensual a cada pinta da sua pele clara, em cada gota de saliva, em cada pêlo que sua roupa esconde.
Um vulcão. Mas envolta, até então, por ma capa de suavidade, temperança, simpatia e meiguice. Uma capa que ela se esforçava para prevalecer alguma outra coisa. Percebia que ela estava para explodir, tamanho o esforço que ela fazia para esconder a sua intensidade incontrolável. Nunca entendi exatamente o porque.
Aquela energia sexual que ela exalava pelo poros fluiu pelas minhas veias e ferveu meu sangue. Aquela volúpia invadiu minhas artérias, encheu meu coração e explodiu meu peito. Transformou-me em puro torpor.
A volúpia que ela trazia misturou-se com meu ímpeto e fez-se veneno, capaz de provocar dores que parecem insuportáveis e prazeres que parecem incomparáveis.
Cheguei a temer que ela se envenenasse e perdesse o controle. Seguro de mim mesmo, não achava que eu mesmo pudesse mergulhar tão fundo no líquido a ponto de não precisar jamais consumi-lo novamente.
Bebia litros do veneno, que escorria pela minha boca, penetrava minha pele e dilacerava qualquer resistência que eu pudesse ter. Aquele veneno consumiu-me dos pés à cabeça. Trouxe os mais cruéis pensamentos e a mais intensa paixão.
Ela não bebia. Saboreava da minha boca o gosto do perigo. A cada momento como esse, eu me embriagava de veneno, enquanto ela sentia apenas escorrer da boca o pouco que consumia.
O perigo e uma dose de perversão em nossos atos dava tons avermelhados ao que acontecia. Ela, porém, vestia a capa que a protegia de assumir o que tinha dentro de si. Ela sabia que uma vez liberada, seria incontrolável, com conseqüências que nem ela nem ninguém poderia prever.
Sempre tive a sensação de apreciação do veneno, mesmo sabendo que consumia minhas sensações, corroía meus sentimentos. Senti-me um hedonista do século 15, em meio ao período Renascentista. O "carpe diem" daquela época, que buscava o prazer imediato, me fazia continuar. Mesmo sabendo que o risco de dor sempre era muito maior do que o de prazer.
Aos poucos e com pequenas doses dessa volúpia, me apaixonei por ela com a voracidade de um lobo selvagem. Sentia ódio por tudo que impedia da satisfação pessoal que tinha ao encher-me do veneno que só produzia quando estava com ela.
Sem perceber, aquele veneno já fazia parte do meu sangue e me consumia todos os dias, todas as noites, fins de semana e feriados.
Ela continuava vestida com a capa protetora. Ela resistia ao veneno que sabia que era produzido com a participação dela.
O veneno não tem cura. Já faz parte do meu corpo e retirá-lo significaria extrair todo meu sangue. Seus efeitos são imprevisíveis, mas uma coisa é certa: vale cada gota que eu avidamente consumi, e que hoje com volúpia, ímpeto e violência consome todos os meus sentimentos - dos mais terríveis aos mais saborosos.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Contradição feminina
- Ela fica impassível dizendo: "não sei o que te dizer, nem o que fazer"
- Bem vindo ao clube
- A minha loucura chega aos níveis de analisar cada palavra dela. E é contraditório, claro
- Claro! Ela é mulher, vc esperava o que? É engraçadinho, mas não é piada não, é sério.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Carta voluptuosa
Talvez teu cheiro de mistério e sensualidade
Quem sabe uma temporária fragilidade
Ouvi teu coração bater apertado
Com os olhos senti a amargura na sua boca
Seus cabelos, sempre belo
Ou tua boca seca de amargura e doce de sedução
Levaram-me a um êxtase viciante
Incomparável sensação que não repeti nunca mais
Teus olhos blindados escondem a ternura do teu olhar
O som saboroso da tua voz ouriça os mais escondidos sentimentos
Nem a violência das tuas palavras é capaz de derrubar
O mais impetuoso amor que meu coração insiste em te dar
Porque ele tem a violência do maremoto
A intensidade do bater de asas de um beija-flor
E o sabor de chocolate
A sedução escorre nos teus lábios
O gosto que não sai da boca é da tua sedução
A volúpia dos teus toques ainda parece quente
Teus dentes mordendo os lábios
Tua cintura envolta em meus braços
Te coração batendo pelo meu
Tua pele esquentando a minha
Minha barba roçando teu pescoço
Tuas mãos, suadas
Puxando-me contra teu seio
Teus olhos fechados
Os suspiros deixando meu corpo
Meus lábios encostados na sua pele
E minha voz dizendo
Que o amor que minhas palavras declamam
São impressas pelo meu corpo no seu
terça-feira, 12 de junho de 2007
Carta impetuosa
Sem tua presença, ganhei estabilidade, frieza, agressividade, racionalidade. O teu cheiro, que me dava a sensação de manhã ensolarada, não estava mais presente. Nem teus lábios, que me despertavam um desejo quase incontrolável.
Agora só tinha sua lembrança. Tua voz foi rareando à medida que o tempo passava, embora sua beleza tenha ficado fixa na minha retina, que tentava enxergá-la em outros rostos. Em vão, claro.
Sem você ganhei paz. Mas perdi a alma...
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Olá enfermeira
Eis que entro na lotação e lá está ela. Sempre com sua calça branca e blusa azul - olá enfermeira, penso. Cabelos bem pretos, um pouco para baixo dos ombros. Pele branquinha, batom sempre com alto contraste. Traços delicados, magra, parece uma boneca de porcelana.
Vez por outra nos encontramos. De vez em quando, ainda ganho um sorriso espontâneo por ser cavalheiro e deixá-la descer primeiro quando chegamos ao destino.
Um sorriso. Um simples sorriso. E ela consegue dar uma dose de alegria no meu dia. O sol parece obedecê-la e mandar o dia nascer, só para combinar com o brilho do seu sorriso.
Nos últimos dois dias, tive o privilégio de encontrá-la. Um deles, inclusive, sentei ao seu lado. Ao pedir licença, vi seus olhos fitando nos meus e sorrindo: "toda". Gestos simples, que parecem fazer toda diferença. Se ela soubesse o quanto aquele sorriso faz bem para o meu dia, poderia mostrá-lo muito mais vezes.
